
Em um setor em constante transformação, onde inovação e sustentabilidade deixaram de ser diferenciais para se tornarem imperativos, a Dow se destaca como uma das protagonistas globais em ciência dos materiais. Combinando química e engenharia para desenvolver soluções avançadas em embalagens, infraestrutura e bens de consumo, a companhia também revela lideranças que impulsionam essa evolução, como a gaúcha Letícia Jensen, atual Vice-Presidente Comercial para Embalagens e Plásticos de Especialidade na América Latina.
Graduada em Engenharia Química pela PUC-RS, com MBA pela Northwood University e formação executiva em instituições como Universidad de San Andrés, Yale e IMD Business School, Letícia construiu uma trajetória sólida e internacional. Sua atuação reflete uma liderança orientada por inovação, colaboração e geração de valor, consolidando seu nome como uma das principais referências na indústria de plásticos e embalagens.
Com uma carreira iniciada na Ipiranga Petroquímica, no Polo de Triunfo, em 1996, Letícia ingressou na Dow em 2001, onde acumulou ampla experiência em áreas estratégicas como P&D, Vendas, Marketing, Compras e Sustentabilidade. Ao longo de sua trajetória, liderou iniciativas globais que vão desde sustentabilidade até planejamento de crescimento, com passagens relevantes pela América Latina, Europa e Estados Unidos.
Defensora ativa da diversidade e inclusão, tem promovido programas que fortalecem a equidade em toda a cadeia de valor e, atualmente, atua como Chair da Hispanic & Latin Network (HLN) na América Latina, além de participar de diversos grupos de afinidade da companhia.
A executiva destaca ainda a forte presença industrial e os centros de inovação da Dow na América Latina, com operações no Brasil, Argentina, México e Colômbia, reforçando o compromisso da empresa com uma indústria do plástico mais eficiente, circular e centrada no cliente. “Ao unir nossa ciência de materiais com parcerias estratégicas, reafirmamos nosso compromisso de impulsionar uma indústria do plástico sustentável para toda a América Latina”, ressalta.
Além disso, Letícia enfatiza que a inovação está no DNA da companhia e se materializa em cada interação com clientes. Entre os destaques, cita a linha REVOLOOP™, que incorpora conteúdo reciclado pós-conso com alta qualidade e consistência, além de parcerias com empresas como Lord, Robopac, Cargill e Valgroup.
Ela também comenta sobre os resultados positivos na região, as perspectivas para 2026 e a participação em importantes eventos internacionais, como a Feira K, na Alemanha, e a PlastImagen, no México, além de iniciativas no Brasil voltadas à inovação e à valorização da liderança feminina na indústria.
PLÁSTICO SUL AMÉRICA - Para situar a abrangência de mercado, em quais países da América Latina a Dow tem unidades produtivas e como é sua atuação?
LETÍCIA JENSEN - A Dow possui presença industrial e centros de inovação estratégicos na América Latina, com operações produtivas em países como Brasil, Argentina, México e Colômbia além de uma ampla rede logística e comercial que permite atender toda a região latino-americana com foco em entregar a melhor experiência para nossos clientes.
O Brasil é um dos principais polos operacionais e de inovação da companhia na região. Nosso escritório, onde estão concentradas as atividades administrativas e sede da Dow na América Latina, está em São Paulo, mas temos unidades produtivas no interior e litoral de São Paulo, em Minas Gerais, na Bahia e no Pará. Além disso, contamos com o Inspiration Center e o Pack Studios, em Jundiaí (SP), que funcionam como uma plataforma de colaboração e desenvolvimento para clientes e parceiros em toda a América Latina.
Especificamente para o negócio de Embalagens e Plásticos de Especialidade, contamos com uma unidade de produção em Bahía Blanca, na Argentina, localizada estrategicamente e muito importante para o abastecimento do mercado regional, além de times comerciais e técnicos que atendem nossos clientes em toda a América Latina.
PSA - Cite resumidamente quais as principais linhas de produtos oferecidas pela Dow à indústria do plástico.
LJ - A Dow oferece à indústria do plástico um portfólio amplo e integrado, sempre orientado pelo compromisso com a inovação, a solução dos desafios dos nossos clientes e a sustentabilidade. Nossas linhas incluem polietilenos utilizados em embalagens flexíveis e rígidas, desenvolvidos para melhorar performance, reduzir o uso de material (downgauging) enquanto mantemos as propriedades técnicas e de alto desempenho, e possibilitar maior reciclabilidade, inclusive com o uso de plástico reciclado pós-consumo (PCR).
Também atuamos com elastômeros de poliolefina, aplicados em mobilidade, calçados, fios e cabos, que contribuem para leveza, eficiência energética e durabilidade, elementos essenciais em uma economia de baixo carbono e para a performance nesses mercados. Outro destaque importante são nossos ionômeros e resinas especiais, que possibilitam embalagens premium e aplicações de alto desempenho com menor uso de recursos, maior vida útil e melhor eficiência ao longo de todo o ciclo de uso.
Complementando esse portfólio, temos avançado significativamente em soluções circulares, especialmente por meio de nossas resinas recicladas, como a linha REVOLOOP™, que incorpora conteúdo pós‑consumo com qualidade consistente e escalável, reforçando nosso papel na construção de uma cadeia mais circular.

Em resumo, oferecemos soluções para embalagens, filmes industriais, filmes termoencolhíveis (shrink), filmes estiráveis (stretch), higiene, agricultura e bens de consumo, dentre outros mercados. Em todas essas frentes, nossa prioridade é combinar inovação, eficiência e responsabilidade ambiental para otimizar recursos, elevar performance e apoiar nossos clientes em seus desafios.
PSA - Qual a filosofia da Dow em relação à inovação neste momento? Explique a importância do Seletor Guiado de Produtos de Polietileno.
LJ – Nossa filosofia de inovação está fundamentada na colaboração e no propósito. Não inovamos isoladamente: trabalhamos com clientes e parceiros para resolver desafios reais de performance, sustentabilidade e produtividade. Hoje, mais de 90% do nosso portfólio está estritamente alinhado aos nossos focos em Proteção Climática, Economia Circular e Materiais Seguros, como divulgado no Relatório INtersections 2024.
A inovação é parte de nosso DNA e é colocada em prática em cada interação com nossos clientes – nosso time técnico atua lado a lado com nossos clientes para desenvolver soluções para os mais complexos desafios da indústria. Além disso, contamos com o Pack Studios, uma rede internacional onde reunimos especialistas, equipamentos de última geração e laboratórios completos. Nesses espaços, marcas, convertedores, designers e toda a cadeia de valor trabalham juntos para criar soluções de embalagem mais eficientes, sustentáveis e alinhadas às demandas do mercado. No Brasil, o Pack Studios fica localizado na cidade de Jundiaí (SP) e integrado ao Inspiration Center, o centro de inovação da Dow na América Latina.
Já o Seletor Guiado de Produtos de Polietileno, lançado em 2025, é um exemplo de como unimos expertise digital e experiência do cliente. Sabemos que a complexidade técnica da nossa indústria pode ser um desafio e, por isso, criamos algo que simplifica a escolha da solução ideal de polietileno dentro do nosso amplo portfólio.
A importância dessa ferramenta está na agilidade e precisão na tomada de decisão. Por meio de filtros baseados em parâmetros técnicos essenciais, como índice de fluidez, densidade, família de resinas e processo de fabricação, o seletor entrega uma lista personalizada que atende às especificações exatas do projeto, seja ele focado em eficiência de processamento, performance ou custo-benefício. É uma forma de democratizar o acesso à nossa ciência de materiais, eliminando burocracias e permitindo que nossos clientes transformem desafios em oportunidades de mercado com muito mais rapidez.
PSA - Outro destaque da Dow é o REVOLOOP ™. Comente sobre os benefícios.
LJ – O REVOLOOP™ hoje é um de nossos destaques: isso porque os produtos que compõem o portfólio REVOLOOP™ está entre nossas soluções mais avançadas em resinas de plástico reciclado, projetadas para elevar o padrão da cadeia de valor de resíduos e viabilizar a economia circular. Combinadas com nosso amplo portfólio e nossa expertise em ciência dos materiais, estas resinas nos ajudam a atender a demanda por soluções circulares.
O diferencial do REVOLOOP™ está na oferta de resinas prontas para uso (ready-to-use), formuladas em uma opção de single-pellet. Isso significa que entregamos uma resina composta de até 100% de conteúdo PCR (pós-consumo reciclado), o que garante um comportamento de fluxo e deformação uniforme do material (homogeneidade reológica) além de consistência de processamento. Essas resinas são submetidas a controles de qualidade para assegurar que propriedades mecânicas, durabilidade e desempenho final sejam equivalentes aos padrões exigidos pelas indústrias mais complexas.
Também vale destacar que o REVOLOOP™ atua diretamente na redução da pegada de carbono dos convertedores e donos de marca. Ao agregar o conteúdo reciclado à solução final de embalagem, conseguimos reduzir a pegada de carbono do produto final e acelerar a circularidade na indústria do plástico - assim, transformamos o resíduo plástico em insumo nobre, sem sacrificar a integridade estrutural ou a processabilidade do produto.
PSA - A sustentabilidade e a Economia Circular estão em evidência. Como a Dow está envolvida nesse processo?
LJ – Como empresa de ciência de materiais, a Dow possui um compromisso histórico com a sustentabilidade que antecede e fundamenta todas as nossas ações. Para nós, esse compromisso é o que permite liderar a transição para uma economia circular bem-sucedida, que compreendemos como um ecossistema dependente do desenvolvimento robusto de seis áreas-chave codependentes: produção, desenho, reutilização, coleta e classificação, reciclagem e o fortalecimento dos mercados de materiais recuperados.
É parte dessa estratégia seguirmos avançando no desenvolvimento de tecnologias e projetos que viabilizem processos produtivos mais eficientes e com menor intensidade de carbono, sempre com foco em soluções escaláveis, seguras e alinhadas às demandas do mercado global. Nosso compromisso é conduzir essa transição de forma responsável, com foco na geração de valor sustentável para clientes, parceiros e para a sociedade.
A reciclagem mecânica é hoje a principal base para a circularidade em escala. A circularidade do plástico não se trata apenas do que acontece no final da vida útil. Trata-se também de como os materiais começam. Para a Dow, a jornada para a circularidade também é uma jornada para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE).
A reciclagem mecânica se consolidou, nos últimos anos, como a tecnologia mais disponível e viável para expandir o uso de PCR no curto e médio prazo. Ela apresenta menor intensidade energética, permitindo reduções diretas de CO₂ quando comparada à produção de materiais virgens.
Dentro dessa evolução, soluções como REVOLOOP™, desenvolvidas para incorporar conteúdo reciclado pós‑consumo, reforçam a estratégia de avançar na reciclabilidade, trabalhar com desenho adequado aos sistemas existentes, e ampliar a oferta de materiais circulares no mercado. Na América Latina, isso é especialmente relevante porque fortalece cadeias locais, gera empregos e conecta a região às metas globais de sustentabilidade e clima da Dow.
Colaborações como nossa parceria com a LORD para utilização do PCR REVOLOOP™ para a produção do EcoFilm, material usado em diversas aplicações de embalagens secundárias, como filmes termoencolhíveis (shrink), mostram como esses avanços não são apenas possíveis, mas já são realidade.

Por exemplo, a substituição de caixas de papelão por filmes plásticos termoencolhíveis (shrink) - embalagem plástica com 30% de resinas REVOLOOP™ - na linha do óleo Liza da Cargill resultou na redução de 71% no consumo de água e na queda de 65% na emissão de gases do efeito estufa (considerando um ano de transporte de produtos Liza) - houve, ainda, melhoria de desempenho em comparação com outras soluções,
Nosso objetivo central com projetos como este é reinserir o plástico e outros materiais na cadeia produtiva para promover uma economia circular que seja não apenas mais sustentável, mas também mais inclusiva. Ao agregarmos valor aos materiais recuperados, conseguimos diminuir drasticamente o descarte e o desperdício, gerando ganhos sociais, econômicos e ambientais tangíveis para toda a sociedade. Ao unir ciência de ponta com parcerias locais, estamos provando que o plástico é um recurso valioso demais para ser desperdiçado.
PSA - E sobre a Circularidade do Plástico, o que destaca e como atua para a evolução do sistema principalmente na área de embalagens?
LJ – A Economia Circular é um dos pilares da estratégia da Dow, especialmente no segmento de embalagens. Atuamos de forma integrada em toda a cadeia de valor, desde o desenho de embalagens pensadas para serem recicláveis, passando pelo uso de plástico reciclado pós-consumo, até parcerias para fortalecer sistemas de coleta e reciclagem. Acreditamos que a evolução do sistema depende da colaboração entre indústria, clientes, recicladores e setor público, e é assim que trabalhamos para transformar resíduos em novos recursos e impulsionar a economia circular.
Trabalhamos diariamente para liderar a transição para uma economia circular através de um portfólio de produtos mais sustentáveis e de baixo carbono. A transição para sistemas circulares é incremental e exige ajustes contínuos em tecnologia, desenho e modelos de negócio.
Nossa atuação começa pelo desenho inovador e pela simplificação de estruturas. Por meio do conceito de Desenho para a Reciclabilidade (D4R), por exemplo, estamos substituindo materiais de difícil reciclagem, como nylon e PVC, por estruturas de polietileno (PE) monomateriais. Essas inovações permitem a criação de bolsas flexíveis prontas para a reciclabilidade que mantêm as propriedades de barreira e proteção, aprimorando a usinabilidade e a durabilidade para que igualem ou superem o desempenho técnico dos filmes multi materiais tradicionais, garantindo a integridade do produto em todo o seu ciclo de vida.
Um exemplo é a viabilização da embalagem "O1NE", pioneira em circularidade no mercado de café brasileiro, desenvolvida em parceria com a Valgroup e impulsionada pela aplicação estratégica das resinas de alto desempenho ELITE™ AT e INNATE™ da Dow. Desenvolvida no Pack Studios, essa inovação utiliza a ciência de materiais para substituir estruturas multimateriais tradicionais por uma solução monomaterial que mantém a integridade e as propriedades organolépticas do produto a través de propriedades mecânicas, como a barreira contra oxigênio. O uso dessas resinas proprietárias garante a resistência mecânica e a processabilidade necessárias para o formato stand-up pouch, permitindo que a embalagem seja reciclada sem que o convertedor ou a marca precisem comprometer a performance técnica ou o apelo visual exigido pelo segmento premium.

Outro pilar fundamental é a nossa meta de transformar resíduos plásticos em recursos valiosos. Um exemplo prático é a linha de resinas REVOLOOP™ já citada, que incorpora conteúdo reciclado pós-consumo (PCR) em uma opção de single-pellet de alto desempenho. Essas resinas são extremamente versáteis e mantêm a processabilidade necessária para aplicações exigentes, desde filmes de estiramento (stretch) e encolhimento (shrink) até tampas, fios, cabos e membranas para telhados.
Mais do que incorporar material reciclado, o foco está em garantir previsibilidade, desempenho e segurança de uso, requisitos essenciais para que a circularidade seja escalável. Complementando essa estratégia, oferecemos opções renováveis e de base biológica que servem como alternativas sustentáveis às matérias-primas fósseis, ajudando a reduzir drasticamente a pegada de carbono de nossos clientes. Nossas soluções são projetadas para maximizar o uso de material e reduzir o desperdício, oferecendo eficiência de recursos sem comprometer a qualidade ou a funcionalidade.
Hoje, por exemplo, em algumas localidades, já oferecemos resinas feitas a partir de matérias-primas renováveis e de base biológica – como resíduos de madeira, óleo de cozinha usado e palha de milho. Esses materiais, incluindo SURLYN™ REN, AFFINITY™ RE e NORDEL™ REN, oferecem menor pegada de carbono e são projetados para aplicações nas indústrias de embalagens, calçados e automotiva.
Ao unir nossa ciência de materiais com parcerias estratégicas, a Dow reafirma seu compromisso de impulsionar uma indústria do plástico sustentável, eficiente e centrada no cliente para toda a América Latina.
PSA - A Dow participa de vários eventos. Qual foi o aprendizado na Feira K 2025 e que podem ser aplicados imediatamente? Que outros eventos foram produtivos?
LJ – A Feira K 2025 foi muito importante para Dow. Tivemos oportunidade de relacionamento com centenas de clientes da América Latina e apresentamos nossas mais recentes tecnologias – momentos como este reforçam como vivemos nossa ambição como companhia no dia a dia, colocando o cliente no centro de tudo aquilo que fazemos.
Ano passado, além de participação em grandes feiras, como a PlastImagen 2025, realizada no México, o ano também ficou marcado por eventos realizados em nosso escritório, em São Paulo (SP), onde realizamos o seminário técnico “Ciência, Inovação e Soluções de Resinas para o Futuro” e no Pack Studios, em Jundiaí (SP), onde, em parceria com a LORD e ROBOPAC, realizamos mais uma edição do evento “O Futuro da Paletização”.
PSA - Sem citar volumes e valores, mas apenas conceitos, como a Dow avalia o desempenho em 2025 no Brasil e na América Latina?
LJ – Em 2025, avaliamos nosso desempenho no Brasil e na América Latina de forma positiva – continuamos trabalhando para atender nossos clientes e ajudá-los a superar seus desafios. No Brasil, mantivemos um desempenho sólido, com foco claro em inovação aplicada, sustentabilidade e proximidade com os principais setores industriais. Conseguimos evoluir em soluções que agregam valor real às cadeias produtivas, especialmente em temas como eficiência, circularidade e desenvolvimento de materiais mais sustentáveis, reforçando nosso papel como parceiro estratégico do mercado.
PSA - Em termos de perspectivas, quais os segmentos mais promissores nos próximos anos?
LJ – As perspectivas de crescimento da Dow no Brasil para 2026 estão fundamentadas na colaboração estratégica com clientes e donos de marcas para atender à crescente demanda por inovações que impulsionem a economia circular em toda a cadeia de valor. Historicamente atrelado ao desempenho do PIB, o consumo de polietileno é agora acelerado pela expansão do e-commerce e pela transição para embalagens sustentáveis através do Desenho para a Reciclabilidade (D4R). Essa abordagem foca na simplificação de estruturas e na melhoria do desempenho, sem comprometer a reciclabilidade.
Entre os setores mais promissores, o segmento pet food se destaca como um mercado em franco crescimento, já que responde por cerca de 80% do faturamento do mercado pet no Brasil. A oportunidade reside na substituição de embalagens tradicionais de múltiplos materiais pela tecnologia Monopack da Dow, uma solução monomaterial em polietileno (PE) que garante as barreiras necessárias contra umidade e gordura, sendo totalmente reciclável.
Além disso, a publicação do Decreto 12.688/2025, que regulamenta a Política Nacional de Resíduos Sólidos e o Sistema de Logística Reversa, deve impulsionar significativamente a busca por resinas pós-consumo recicladas (PCR). Nesse cenário, a Dow atua para apoiar convertedores na transição para soluções que se adequem tanto às exigências regulatórias quanto aos altos padrões de desempenho do mercado.
PSA - O segmento de calçados é um foco da Dow. A Dow participa da FIMEC em Novo Hamburgo? De que forma?
LJ – O segmento de calçados é estratégico para a Dow, onde atendemos às necessidades dos calçados de performance e suportamos a transição para uma economia de baixo carbono – este é um setor que busca ativamente reduzir seu impacto ambiental sem sacrificar a performance. Para atender o mercado, temos soluções como o ENGAGE™ REN, um elastômero desenvolvido a partir de fontes renováveis e base biológica, como óleos vegetais usados, permitindo que a indústria produza calçados com uma pegada de carbono reduzida, mantendo as propriedades essenciais de resistência, flexibilidade e leveza.
Nossos times comerciais estarão presentes na FIMEC 2026, apresentando soluções e interagindo com os parceiros do setor.
PSA - Quais são os principais desafios para ampliar a atuação na América Latina?
LJ – Os principais desafios incluem a infraestrutura logística, a complexidade regulatória, a competitividade industrial e a volatilidade econômica. Mas, os desafios também trazem oportunidades: a América Latina é uma região marcada pela capacidade de inovação e, junto aos nossos clientes e donos de marca, trabalhamos para atender o crescimento do mercado consumidor.
PSA - Como a Dow administra a questão tributária e cambial com tantas moedas e regimes diferentes?
LJ – A Dow opera com uma estrutura global integrada e equipes especializadas em planejamento financeiro, compliance e gestão de riscos. Essa abordagem permite lidar de forma estruturada com diferentes moedas, regimes tributários e ambientes regulatórios. Independentemente dos desafios, trabalhamos para servir aos nossos clientes e entregar valor diariamente a nossos parceiros.
PSA - Como avalia a crescente participação da mulher em cargos de liderança nas indústrias da cadeia do plástico?
LJ – Este é um ótimo ponto quando olhamos pelo prisma da indústria, e avalio o movimento com muito otimismo e convicção – no ano passado, por exemplo, um de nossos grupos de afinidade (ERG) no Brasil, o WIN (Women’s Innovation Network), realizou dois eventos sobre o tema em nosso escritório, contando com a participação de mulheres que ocupam cargos de liderança na indústria química. Pude participar de um desses painéis e ter a felicidade de dividir o palco com grandes líderes que demonstram o quanto a indústria tem a ganhar ao aumentar a equidade de gênero em diferentes cargos.
A crescente presença de mulheres em cargos de liderança na cadeia do plástico fortalece a indústria como um todo, ao trazer mais diversidade de perspectivas, inovação e qualidade na tomada de decisão. Para nós, inclusão, diversidade e equidade não é apenas uma agenda de impacto, mas um fator estratégico para a competitividade, a sustentabilidade e a evolução do setor.
PSA - Algo a acrescentar?
LJ – Mais do que desenvolver materiais, nosso papel é contribuir para sistemas que funcionem na prática, conciliando desempenho, viabilidade industrial e redução de impactos ambientais – trabalhamos sempre em colaboração com a cadeia de valor, colocando o cliente no centro de cada ação que realizamos. É um olhar que exige aprendizado constante, visão de longo prazo e cooperação entre todos os elos do setor, e é com esse compromisso que a Dow segue trabalhando para transformar desafios complexos em soluções concretas para a indústria e para a sociedade.