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MISSÃO COMERCIAL À VENEZUELA IDENTIFICA OPORTUNIDADES PARA A INDÚSTRIA BRASILEIRA DE PLÁSTICOS TRANSFORMADOS

21 de julho de 2026
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Agenda em Caracas reuniu representantes do governo, entidades empresariais e empresas locais e apontou demanda reprimida em segmentos como embalagens, construção civil, plasticultura e resinas

Uma missão comercial realizada em Caracas, nos dias 16 e 17 de junho, identificou oportunidades para a indústria brasileira de plásticos transformados no mercado venezuelano. A agenda, organizada pela Secretaria de Promoção Comercial do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e pela ApexBrasil, reuniu representantes de diferentes setores da economia brasileira e teve a participação do Instituto Nacional do Plástico (INP), por meio do portfólio Think Plastic Brazil.

Durante a missão, foram mapeadas demandas em áreas como utilidades domésticas, construção civil, brinquedos e puericultura, embalagens, plasticultura e insumos para transformação. A avaliação é de que a retomada da atividade econômica venezuelana, combinada à demanda reprimida e à necessidade de recomposição da capacidade produtiva, pode abrir espaço para novos negócios com empresas brasileiras.

O cenário também é favorecido por fatores logísticos e comerciais. Segundo informações apresentadas durante a missão, o transporte marítimo entre Brasil e Venezuela pode levar cerca de 11 dias, enquanto o trajeto a partir de fornecedores asiáticos chega a aproximadamente 45 dias. A proximidade pode representar uma vantagem para empresas brasileiras em um mercado que depende de importações para atender parte da demanda.

Outro fator apontado é o Acordo de Complementação Econômica nº 69 (ACE-69), vigente desde 2014 no âmbito da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI). O acordo estabelece livre comércio para grande parte do universo tarifário bilateral e garante preferência tarifária aos produtos brasileiros, ampliando a competitividade frente a fornecedores de outras regiões.

A corrente de comércio entre Brasil e Venezuela, que chegou a US$ 6 bilhões em 2013, encerrou 2025 em aproximadamente US$ 1,2 bilhão, com saldo de US$ 488 milhões favorável ao Brasil. No primeiro semestre de 2026, o comércio bilateral cresceu 10,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Embaixada do Brasil.

O Think Plastic Brazil avalia que a recuperação da economia venezuelana pode impulsionar a demanda por produtos e insumos destinados a diferentes cadeias industriais. Projeções locais citadas durante a missão indicam crescimento do PIB venezuelano entre 8% e 10% em 2026. A produção de petróleo também segue em recuperação e alcançou cerca de 1,07 milhão de barris por dia em maio.

No setor financeiro, dados da consultoria Global Scope apontam crescimento de 36,9% dos ativos da banca venezuelana em 12 meses até maio de 2026. No mesmo período, a carteira de crédito avançou 58,1% e o lucro do sistema aumentou 82,1%, enquanto a inadimplência ficou em 0,93%.

Para Carlos Moreira, diretor-executivo do INP e de projetos do Think Plastic Brazil, a combinação desses fatores cria condições favoráveis para a ampliação da presença brasileira no mercado venezuelano. “A Venezuela vive a maior reabertura econômica das últimas três décadas, e o setor de plástico está no centro dela. Encontramos um mercado com metade da capacidade industrial ociosa, que importa resina de países a 45 dias de navegação, enquanto o Brasil está a 11. Some-se a isso o ACE-69, em vigor, que dá ao produto brasileiro uma preferência tarifária que os fornecedores asiáticos não têm”, afirma.

Segundo Moreira, entre as demandas identificadas estão produtos para embalagens, filmes agrícolas, resinas e soluções voltadas à construção civil. A missão incluiu reuniões com autoridades, entidades empresariais e empresas venezuelanas, além de visitas técnicas ao varejo local. O Think Plastic Brazil participou da agenda representando as seis verticais estratégicas do portfólio.

Como resultado, foram registrados pedidos de cotação de resinas e estabelecidas conexões entre potenciais compradores venezuelanos e fornecedores brasileiros. O Instituto também prepara um relatório de inteligência de mercado com informações sobre o cenário econômico, oportunidades comerciais e os principais encaminhamentos da missão, que será disponibilizado às empresas associadas.

A iniciativa também deve contribuir para a estratégia de internacionalização do setor. A expectativa é que a Venezuela seja incorporada como mercado prioritário do Think Plastic Brazil nos próximos ciclos de atuação.

A aproximação deverá ter continuidade no World Plastic Connect Summit, evento promovido pelo portfólio e que terá sua quinta edição na segunda semana de agosto de 2027, em São Paulo. A expectativa é que o encontro reúna empresas brasileiras e compradores internacionais, incluindo representantes do mercado venezuelano.

O relatório completo da missão comercial, com análise do mercado, oportunidades identificadas e dados econômicos, está disponível no site do Think Plastic Brazil.

O Think Plastic Brazil também manifestou solidariedade ao povo venezuelano e às famílias afetadas pelos terremotos registrados no país em 24 de junho de 2026. A entidade afirmou que acompanha com pesar os impactos provocados pelos tremores e reforçou o compromisso de manter uma aproximação de longo prazo com o mercado venezuelano.

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