
Setor movimentou R$ 4 bilhões em 2024 e enfrenta aumento da demanda por matéria-prima reciclada diante de novas regras para gestão de resíduos e logística reversa.
O avanço da legislação ambiental e das políticas de economia circular vem ampliando a demanda por resinas plásticas recicladas no Brasil. Dados do Movimento Plástico Transforma apontam que o mercado movimentou R$ 4 bilhões em 2024, em um cenário de maior pressão regulatória e de crescimento das exigências relacionadas à gestão de resíduos e à logística reversa.
A expansão do setor ocorre em meio ao fortalecimento de políticas públicas voltadas à redução da geração de resíduos e ao reaproveitamento de materiais. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, metas de logística reversa e novas regulamentações têm levado empresas de diferentes segmentos a buscar alternativas para aumentar o uso de matéria-prima reciclada e reduzir o impacto ambiental de suas operações.
Segundo dados citados pelo setor, a reciclagem de plásticos pós-consumo no Brasil supera 1,01 milhão de toneladas por ano. O volume evidencia a capacidade da cadeia nacional de transformar materiais descartados em insumos para novos processos produtivos, ampliando a circulação dos recursos dentro da economia.
O presidente da Campo Limpo Plásticos, Marcelo Okamura, avalia que o cenário regulatório tende a acelerar a transformação da indústria e ampliar as oportunidades relacionadas à reciclagem. Para o executivo, o desenvolvimento de modelos de economia circular pode gerar impactos não apenas ambientais, mas também econômicos para diferentes segmentos da cadeia produtiva.
A mudança no ambiente regulatório ganhou novos contornos com a Lei nº 15.088/2025, que proibiu a importação de resíduos sólidos e rejeitos, incluindo plásticos. Com a restrição, as indústrias brasileiras passam a depender da oferta doméstica de materiais reciclados, o que pode aumentar a demanda por fornecedores nacionais capazes de disponibilizar resinas pós-consumo com qualidade e regularidade.
Outro marco recente foi o Decreto Federal nº 12.688, publicado em outubro de 2025, que instituiu o Sistema de Logística Reversa para embalagens de plástico. A medida busca ampliar a estrutura de coleta e destinação ambientalmente adequada dos materiais, fortalecer a economia circular e promover a inclusão socioprodutiva de catadoras e catadores de materiais recicláveis.
A regulamentação, no entanto, não se aplica a alguns segmentos que já contam com sistemas próprios de logística reversa, como embalagens de defensivos agrícolas, produtos eletroeletrônicos de uso doméstico, medicamentos domiciliares de uso humano e óleos lubrificantes.
Nesse contexto, a cadeia de reciclagem passa a ocupar uma posição estratégica para o cumprimento das novas exigências ambientais. A necessidade de ampliar a recuperação de materiais e reinseri-los nos processos industriais tende a estimular investimentos em tecnologia, infraestrutura e logística, além de criar novas oportunidades para empresas especializadas na produção de resinas recicladas.
O movimento também acompanha a crescente adoção de critérios ambientais, sociais e de governança, conhecidos pela sigla ESG, nas estratégias empresariais. A combinação entre exigências legais, pressão de consumidores e compromissos corporativos de redução de impactos ambientais tem levado empresas a rever processos produtivos e buscar soluções que permitam maior aproveitamento de materiais pós-consumo.
Um exemplo desse movimento está no setor de embalagens para defensivos agrícolas. A Campo Limpo Plásticos, empresa vinculada ao Sistema Campo Limpo, utiliza resina reciclada pós-consumo proveniente de embalagens devolvidas por agricultores após o processo de tríplice lavagem. O material é recuperado por meio de um sistema de logística reversa e retorna à cadeia produtiva na forma de novas embalagens.
O modelo representa uma aplicação de economia circular dentro do próprio setor, com o reaproveitamento de embalagens utilizadas e posteriormente devolvidas para tratamento e reciclagem. A empresa afirma ter registrado faturamento superior a R$ 500 milhões em 2025 e projeta crescimento de 10% em 2026.
Para o setor, o avanço das regulamentações representa uma mudança estrutural na forma como as empresas lidam com resíduos e matérias-primas. A tendência é que a combinação entre novas exigências legais e maior demanda por soluções sustentáveis mantenha o mercado de resinas recicladas em expansão nos próximos anos, ao mesmo tempo em que aumenta a necessidade de investimentos em infraestrutura e capacidade de reciclagem no país.