
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) está transformando resíduos de hidrômetros desativados em uma solução inovadora para o tratamento de esgoto. Em parceria com a Tigre, a companhia passou a reutilizar o plástico dos medidores de água na produção de dispositivos utilizados em estações de tratamento. A iniciativa segue os princípios da economia circular, reinserindo materiais que seriam descartados na própria cadeia do saneamento. O plástico recuperado dos hidrômetros é utilizado na fabricação do Biobob, um dispositivo responsável por imobilizar e agrupar bactérias que realizam o tratamento biológico do esgoto, tornando o processo mais eficiente e reduzindo o espaço necessário nas instalações.
De acordo com a Sabesp, o projeto reforça o papel do saneamento como agente de transformação ambiental e social. Além de reaproveitar um material que já não teria uso, a tecnologia contribui para aumentar a eficiência do tratamento de esgoto com menor consumo de energia. O Biobob possui uma estrutura com espuma interna onde as bactérias se fixam. Diferentemente dos sistemas tradicionais, em que os microrganismos permanecem dispersos na água, o dispositivo permite maior concentração dessas bactérias no processo de tratamento, o que melhora o desempenho e reduz a geração de resíduos.
A Tigre é responsável por recolher e processar os componentes plásticos dos hidrômetros, como cúpulas, turbinas e engrenagens, produzidos principalmente em polipropileno. O desafio técnico do projeto foi desenvolver um processo capaz de separar e purificar o plástico presente nesses equipamentos, transformando-o em matéria-prima adequada para a fabricação do novo dispositivo. A expectativa é reciclar cerca de 1.000 toneladas de hidrômetros por ano, recuperando aproximadamente 60 toneladas de polipropileno. Como cada Biobob pesa apenas 14 gramas, esse volume permite produzir mais de 4,2 milhões de unidades anualmente. Atualmente, o dispositivo já é utilizado na Estação de Tratamento de Esgoto Cabuçu, localizada em Guarulhos.
Além dos ganhos ambientais, a iniciativa também tem impacto social direto. O volume de plástico recuperado em um ano é suficiente para viabilizar o tratamento de esgoto de uma cidade com cerca de 27 mil habitantes, população semelhante à do município de Bonito. Com o projeto, a Sabesp aposta na inovação e na economia circular para reduzir resíduos, aumentar a eficiência das estações de tratamento e ampliar o acesso ao saneamento básico. Segundo Gustavo Fehldberg, diretor-executivo de Compras e Serviços Corporativos da Sabesp, o projeto combina inovação com ganhos ambientais e operacionais. “Além de reciclarmos um material que não seria mais utilizado, promovendo a economia circular, também tornamos o tratamento de esgoto mais eficiente e com menor consumo de energia”, afirma.