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60 ANOS TECENDO A HISTÓRIA DO NYLON NO BRASIL

21 de maio de 2026
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Por Aurélio Mosca

Nasci na Itália, em 1950, na cidade de São Cosme e Damião, província de Latina, em Roma. Aos oito anos, em 1958, cruzei o oceano com duas irmãs mais velhas para morar no Brasil com meus tios, deixando na Itália meus pais e três irmãos. Cresci e vivi toda a minha vida na região do ABC Paulista, onde me formei Bacharel em Química e, posteriormente, fiz pós-graduação em Marketing.

Neste mês de abril, completo 60 anos de trabalho dedicado ao contato com a produção, tecnologia, aplicação e mercado do Nylon. Tem sido uma aventura prazerosa, e é com imensa satisfação que compartilho minha trajetória profissional.

Minha história no mundo corporativo começou em 1966, como office-boy na Rhodia Têxtil, em Santo André. Eu atuava nos laboratórios químico, têxtil e serimétrico. Após pouco mais de um ano, fui transferido para o laboratório químico como escriturário, pois ainda não tinha idade para realizar as análises. Fascinado por aquele ambiente, decidi seguir carreira e me matriculei na escola de Química. Passei a atuar como analista, dominando todos os processos de análises até 1973, quando decidi buscar novos desafios. Passei 10 meses na Celanese Têxtil, em São Bernardo do Campo, mas o horário começou a conflitar com meus estudos.

Em outubro de 1974, ingressei na Irmãos Mazzaferro, produtora de Nylon 6 e produtos derivados voltados para a pesca profissional e esportiva, como redes, cordas e monofilamentos. Lá, participei de trabalhos relevantes, como o desenvolvimento de Nylon 6 reforçado com 35% de fibra de vidro para a carcaça da lixadeira da Bosch, seguido pelas carcaças de furadeiras hobby.

Outros marcos importantes foram o desenvolvimento de cerdas para escovas de dentes da Johnson & Johnson, com Nylon 6.12 importado, e cerdas para pincéis de cosméticos. Fomos os pioneiros na produção de monofilamentos com diâmetros de 0,5 e 0,7 mm. Pessoalmente, tive grande satisfação em desenvolver o monofilamento para o cabelo das bonecas da Estrela e o monofilamento para cílios. Outra experiência marcante foi a criação da primeira embalagem de Nylon/Poli para charque (carne seca) na Itap do Jaguaré, entre 1975 e 1976.

O ano de 1979 marcou minha primeira visita à Feira K em Dusseldorf e à Feira Itma da indústria têxtil em Hannover, na Alemanha. Em 1982, fui convidado pela Rhodia Plásticos de Engenharia para auxiliar no desenvolvimento de aplicações. Foram 10 anos muito produtivos em uma multinacional. Participei ativamente do desenvolvimento do polímero e composto para injeção da roda da bicicleta Cross da Caloi, na época do lançamento do filme E.T., um grande desafio que resultou em rodas de 20 polegadas, rodas menores e selim. Outro projeto de destaque, já como gerente de produto do Techster (um poliéster termoplástico PBT), foi o desenvolvimento, em parceria com a GE Plásticos, da blenda de PBT/PC para o para-choque do Escort XR3.

Em 1992, retornei à Mazzaferro Polímeros e Fibras para organizar a área comercial e desenvolver o mercado de polímeros de uma nova linha de polimerização contínua. Assumi o desenvolvimento de mercado para polímeros e copolímeros voltados para filmes de embalagens de alimentos. Substituímos o Nylon 66 importado pelo Nylon 6 nacional, ampliando o uso para carnes nobres e queijos. Hoje, a produção mundial dessas embalagens está concentrada no Nylon 6. Foi um período de grande crescimento, desenvolvendo aplicações nos maiores centros produtores da América do Sul.

Em 2010, junto com amigos, fundamos a Krisoll. Compramos uma extrusora dupla rosca na China e assumi a responsabilidade pelas formulações de compostos e suporte à produção. Posteriormente, quando a BASF adquiriu a Mazzaferro, assumimos a representação e distribuição de polímeros para filmes no Brasil. Foram 10 anos gratificantes.

Em 2019, resolvi dar uma guinada. Fui convidado a apresentar o mercado brasileiro de Nylon a representantes da chinesa Juheshun. O projeto avançou e, em parceria com a Flamel, introduzimos os materiais da Juheshun no Brasil, superando desafios técnicos com muito foco. Em 2024, passei uma semana na fábrica na China para adaptar os materiais ao mercado brasileiro, um trabalho de grande sucesso. Também atuei na Activas e na Tecnomatiz em projetos importantes de distribuição e desenvolvimento de mercado.

Ao longo dessa jornada, realizei inúmeras viagens de negócios, visitei as principais feiras do mundo, fui eleito duas vezes como Top Profissional de Engenhaia e construí um ciclo de amizades impagável.

E o futuro? Vou continuar minha jornada neste negócio fascinante que é o mercado do Nylon. Duas frases me inspiram: "A única maneira de crescer no teu trabalho é amar o que você faz" (Steve Jobs) e "Don't let the old man in" (Clint Eastwood).

Agradeço ao Alexandre Pastro, meu parceiro de trabalho desde 2008, com quem sustento o projeto da Juheshun no Brasil. E, em nome de todas as pessoas com quem mantive e mantenho contato profissional, quero citar um em particular: Fernando de Castro, da C.B. Associados, que foi meu professor na escola de Química, meu chefe por duas vezes na Rhodia e que, até hoje, é para mim um grande exemplo de profissional dedicado e amante do que faz.

Aurelio Mosca, representante técnico e comercial da Flamel Polimeros

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