Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

BALANÇO DA INDÚSTRIA DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS REDESENHA DINÂMICA DO MERCADO DE PLÁSTICOS NO BRASIL

29 de janeiro de 2026
Compartilhe nas Redes Sociais

O desempenho da indústria de máquinas e equipamentos em 2025, marcado por crescimento anual de 7,3% na receita líquida total e desaceleração no segundo semestre, produz efeitos diretos e indiretos sobre o mercado brasileiro de plásticos. Como fornecedora estratégica de insumos, componentes e soluções técnicas, a cadeia do plástico acompanha de perto o ritmo dos investimentos industriais, da infraestrutura e do comércio exterior, setores que sustentaram o resultado positivo do ano.

A desaceleração observada no fim de 2025, com queda de 7,5% no consumo aparente de máquinas em dezembro, afeta principalmente segmentos do plástico ligados à fabricação de bens de capital, como peças técnicas, mangueiras, vedações, cabos, componentes injetados, filmes industriais e aplicações em equipamentos agrícolas, industriais e de infraestrutura. Ainda assim, o saldo anual positivo preserva um nível elevado de demanda. “Os números revelaram uma continuidade da desaceleração da atividade no final do ano. O primeiro semestre foi forte, com crescimentos na ordem de dois dígitos, e depois houve perda de ritmo”, afirmou Cristina Zanella, diretora do Departamento de Economia e Estatística, ao avaliar o comportamento do setor.

Mesmo com esse arrefecimento, o crescimento em áreas como infraestrutura, agronegócio e indústria extrativa sustenta encomendas relevantes para transformadores de plástico. Esses setores utilizam intensivamente polímeros em tubos, conexões, revestimentos, isolamentos, reservatórios, peças técnicas e sistemas de transporte de fluidos. Segundo Cristina, “foi um comportamento muito bom no ano, apesar das adversidades, com crescimento em praticamente todas as atividades econômicas”, o que ajuda a explicar a resiliência da cadeia de suprimentos industriais, incluindo o plástico.

No comércio exterior, o avanço de 5% nas exportações de máquinas e equipamentos em 2025 também se reflete no mercado plástico. Equipamentos exportados incorporam componentes plásticos de maior valor agregado, enquanto a diversificação de destinos, América Latina, Europa e Ásia, abre espaço para fornecedores nacionais se integrarem a cadeias globais. Leonardo Silva destacou que, apesar das barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos, “a gente conseguiu superar os números de 2024 por conta da diversificação desse mercado”, com destaque para países como Argentina e Singapura. Esse movimento beneficia segmentos do plástico técnico, especialmente aqueles voltados à indústria de óleo e gás, agrícola e infraestrutura.

Por outro lado, o recorde de importações de máquinas e equipamentos, que atingiu US$ 32,17 bilhões em 2025, amplia a concorrência sobre a indústria nacional e pressiona a cadeia do plástico. Máquinas importadas chegam ao país já integradas com componentes e sistemas produzidos no exterior, reduzindo a participação de fornecedores locais de polímeros e transformados. Esse cenário se agrava com a crescente presença chinesa, que respondeu por mais de 32% das importações, tendência que também afeta o mercado de plásticos industriais.

A discussão sobre competitividade ganha ainda mais relevância diante do Acordo Mercosul–União Europeia. Para Patrícia Gomes, diretora do Departamento de Comércio Exterior, o setor de máquinas sempre tratou o acordo com cautela. “A gente sempre teve uma preocupação com esse acordo, até por isso o setor está em cronogramas de redução tarifária mais longos”, afirmou. Essa preocupação se estende à indústria do plástico, que compartilha desafios semelhantes, como carga tributária, custo do capital e assimetrias regulatórias.

Patrícia também alertou para os efeitos das medidas de defesa comercial sobre os custos dos insumos. “Mesmo a empresa que não importa, que compra no mercado interno, acaba pagando a sobretaxa, porque isso entra na composição do preço do insumo”, explicou. No caso do plástico, esse impacto é sentido tanto na aquisição de máquinas quanto em matérias-primas e aditivos, pressionando margens em um momento de demanda mais cautelosa.

Apesar disso, a manutenção de investimentos em 2025, que cresceram 11% e somaram R$ 9,6 bilhões, e a expectativa de novo avanço em 2026 sustentam perspectivas positivas para o setor plástico. A modernização do parque fabril de máquinas impulsiona a demanda por soluções plásticas mais avançadas, como materiais de engenharia, compostos especiais e componentes voltados à eficiência energética e à redução de peso. “Mesmo com juros elevados, as empresas pretendem investir mais do que investiram no ano passado”, destacou Cristina Zanella, apontando um sinal relevante para toda a cadeia industrial.

Para 2026, a projeção de crescimento mais moderado da indústria de máquinas, em torno de 4%, indica um ambiente de ajustes, mas não de retração. Projetos de infraestrutura, construção civil e logística, intensivos no uso de plásticos, devem continuar sustentando parte da demanda. Leonardo Silva reforçou que, apesar do cenário internacional conturbado, “a gente não espera quedas”, avaliação que também se aplica ao mercado plástico, fortemente conectado aos investimentos produtivos.

Nesse contexto, o balanço da indústria de máquinas e equipamentos revela que o plástico permanece como elo estrutural da atividade industrial brasileira. Sua presença em bens de capital, infraestrutura, agronegócio e exportações faz com que oscilações nesse setor se reflitam diretamente na produção, nos investimentos e nas estratégias da cadeia plástica. Em um ambiente de desaceleração controlada, competição externa crescente e necessidade de ganhos de produtividade, o desempenho das máquinas e equipamentos reforça o papel do plástico como material estratégico para a indústria nacional.

Ademais, outro fator para observar é a recente manutenção da taxa Selic em 15% ao ano pelo Copom, anunciada na última quarta-feira, dia 28, reforça o cenário de cautela para o setor de máquinas e equipamentos e, por consequência, para a cadeia do plástico, altamente dependente de investimentos em bens de capital. Embora a decisão tenha sido unânime e esperada pelo mercado, o nível atual de juros mantém o crédito interno elevado, dificultando financiamentos para modernização e expansão de parques industriais.

No segmento de máquinas e equipamentos, o setor apresenta níveis baixos em termos de receita e estagnação nas encomendas. Para o mercado de plásticos, que depende do desempenho das máquinas para produção de insumos, peças técnicas e componentes industriais, a Selic elevada restringe investimentos, limita a inovação e mantém as empresas em postura defensiva, enquanto uma flexibilização gradual da política monetária poderia destravar projetos, aumentar a confiança e aquecer a demanda por equipamentos, beneficiando também a indústria de polímeros.

Assine a nossa Newsletter:

Captcha obrigatório
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!
Criação de sites: Conectado
linkedin facebook pinterest youtube rss twitter instagram facebook-blank rss-blank linkedin-blank pinterest youtube twitter instagram