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O INSUMO QUE NÃO SEGUIU O BARRIL

1 de abril de 2026
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CADERNO ESTRATÉGICO CAP.M | em parceria com Plástico Sul América

Por Marcelo Mason | CAP.M Consulting

Nas colunas anteriores escrevi sobre como a indústria petroquímica nacional foi sendo esvaziada pelo ciclo de baixa. O que não disse ainda é que a reciclagem de plásticos passou pelo exato mesmo processo, pelo mesmo mecanismo, no mesmo período.

Não é coincidência. É o mesmo ciclo com duas vítimas.

A reciclagem de plásticos no Brasil sempre dependeu de dois vetores. Preço (o reciclado precisava custar menos que o virgem). E compromisso voluntário (brand owners incorporando PCR por convicção ou pressão de investidor).

Os dois quebraram quando o virgem afundou.Com resina importada chegando a preço de dumping, a vantagem do reciclado evaporou. O PCR foi sendo empurrado para baixo da linha de prioridade, não por má-fé, por pressão de margem. A cadeia de reciclagem encolheu junto. Menos volume, menos previsibilidade, menos capacidade de investir em qualidade.

O Decreto 12.688/2025 quebra essa lógica.

Não porque muda a convicção de ninguém. Porque retira a reciclagem do campo do voluntário e coloca no campo da obrigação. As metas já valem para grandes empresas desde janeiro. Na prática o setor ainda engatinha na adequação e isso é realidade, não crítica. Mas 2027 vai cobrar de forma diferente. E material reciclado homologado com rastreabilidade não aparece do dia para a noite. Quem chegar por último pode não encontrar o que precisa.

Mas existe um argumento mais urgente que o decreto, e quase ninguém está usando.Com o barril acima de US$ 100 e a nafta pressionada pela guerra, o virgem disparou. O reciclado não seguiu na mesma velocidade. Ele sobe: por energia, frete, custo operacional, mas não acompanha ponto a ponto. Não tem a mesma correlação com a nafta. Quem já tem PCR homologado no mix consegue oferecer ao cliente um insumo relativamente mais competitivo do que há três meses em relação ao virgem.Reciclado como hedge contra volatilidade de petroquímicos não é discurso de sustentabilidade. É argumento financeiro.

E é o argumento que faltava para o tema entrar de vez na reunião de compras.Depois de mais de vinte anos nessa cadeia, vejo esse momento com uma clareza que não tinha antes.Para o transformador que ainda não começou: o momento de homologar reciclado não é quando o cliente cobrar. É antes. A cadeia de fornecimento qualificada leva tempo e o mercado de PCR com rastreabilidade tem capacidade finita.

Para a marca que ainda trata PCR como projeto de sustentabilidade separado da operação: o decreto não vai esperar o próximo ciclo de planejamento.

Três vetores chegaram ao mesmo tempo: crise de custo do virgem, obrigação regulatória e pressão de Escopo 3. Todos apontam para o mesmo lugar. O setor de reciclagem brasileiro é vital, tem escala e quer crescer. O que faltou por anos foi demanda estruturada. Agora ela existe. O que falta é a decisão de entrar.

Marcelo Mason é fundador da CAP.M Consulting, especializada em estratégia, marketing e ESG para os setores de embalagens, plásticos e bens de consumo. Co-fundador da Rede pela Circularidade do Plástico, atua há mais de 20 anos na cadeia petroquímica e de embalagens no Brasil e na América Latina.

Este artigo integra a série de análise estratégica semanal CAP.M, publicada em parceria com a Revista Plástico Sul América.

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