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UM MERCADO GLOBAL, UM CONSUMIDOR LOCAL E UM ANO FORA DA CURVA

12 de junho de 2026
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Por Marta Loss Drummond

O conflito Irã-EUA nos mostrou que estamos um mercado global mesmo, o que ocorre lá fora reverbera aqui. 

Por possibilidade de escassez devido a dificuldade operacional em grandes players mundiais, os preços das resinas termoplásticas virgens subiram vertiginosamente em março e abril. Foi um caos, como há muito não víamos. Limite de volume de compra, preços mudando em bases semanais, ofertas de importados perdiam validade dentro do mesmo dia, prazos alongados nas importações, corrida para susbtituir grade, férias coletivas, diminuição de produção. Teve oportunismo também, algumas ofertas a preços abusivos para empresas pequenas. Mais uma vez, um grande acontecimento mundial deu uma injeção no mercado de plásticos. A última vez, tinha sido a pandemia. Mas lá, tínhamos consumo. Em 2026, não.  

Voltando aos preços, já em maio, os preços das resinas começaram a diminuir. E esperávamos novos decréscimos em junho. De fato, é o que está acontecendo.

Mas o principal problema agora é a demanda.

O consumidor final com pouco recurso, redução das rendas das famílias, juros altos, inflação alta. Não é de agora. O consumo vai sendo inibido. Compra-se somente o necessário.

Lá na ponta está assim e o transformador e convertedor sentem isso. Nessas primeiras semanas do mês, notamos uma redução no volume de compras de resinas, ainda há material em estoque, empresas pedem orçamento, mas não fecham a compra. Muitas empresas, lá em abril, também compraram antes um volume que não foi usado, para tentar fugir de novas altas.

Em preços, o driver é mundial. Em consumo, o driver é local. A Copa começou, as eleições estão batendo na porta, dois fatores que sempre mexem com o consumo, tanto em bens duráveis (eletrodomésticos para a Copa e grandes obras nas Eleições), como em itens de uso único, como descartáveis e embalagens de snacks. Historicamente, são anos ótimos para o plástico. Mas 2026 ficará como um ponto fora da curva. O ano começou ruim, o conflito piorou. Mas vamos torcer, por um mercado que ande melhor, por um voto consciente e por quê não, pelo Brasil na Copa?

Marta Loss Drummond,

diretora de polímeros do Grupo MaxiQuim

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