
Feira reúne cerca de 400 empresas, mais de mil marcas e ocupa 25 mil metros quadrados da Expoville na 13ª edição, que também marca os 25 anos do evento
A indústria de transformação do plástico voltou os olhos para Joinville nesta terça-feira (25), com a abertura da Interplast 2026 – Feira e Congresso de Integração da Tecnologia do Plástico. Até sexta-feira (28), a Expoville se transforma em ponto de encontro de fabricantes, fornecedores, compradores, especialistas e instituições ligadas a uma cadeia industrial que passa por um momento de forte transformação tecnológica e busca novas soluções para produtividade, sustentabilidade e competitividade.
Em sua 13ª edição, a Interplast reúne cerca de 400 empresas expositoras e mais de mil marcas nacionais e internacionais distribuídas por três pavilhões, em uma área total de aproximadamente 25 mil metros quadrados. A organização projeta superar 32 mil visitantes e estima que os negócios iniciados durante a feira possam ultrapassar R$ 500 milhões, considerando também os contratos concretizados nos 12 meses seguintes.
A abertura oficial reuniu autoridades, representantes de entidades empresariais, lideranças do setor plástico, expositores e profissionais da indústria. Promovida pelo SIMPESC – Sindicato da Indústria de Material Plástico de Santa Catarina e organizada pela Messe Brasil, a Interplast chega aos 25 anos de história consolidada como uma das principais plataformas de negócios, tecnologia e conhecimento da indústria de transformação do plástico.
TECNOLOGIA COMO MOTOR DA INDÚSTRIA
A dimensão alcançada pela feira acompanha a transformação pela qual passa a indústria. Máquinas, equipamentos, automação, matérias-primas, moldes, periféricos, processos, reciclagem e soluções digitais ocupam os espaços da Expoville, em uma mostra que reúne diferentes etapas da cadeia produtiva, da matéria-prima ao produto final.
Para Richard Spirandelli, diretor da Messe Brasil, a Interplast mantém uma relação direta com o desenvolvimento tecnológico do setor. Segundo ele, a função do evento é aproximar empresas, apresentar soluções e criar um ambiente para discutir os desafios que estão moldando o futuro da indústria. “A Interplast tem uma relação histórica com o desenvolvimento do setor plástico, especialmente pela tecnologia e pela inovação. Nosso papel é reunir as empresas para apresentar soluções, gerar negócios e debater os desafios do setor”, destacou.
A feira ocorre em um cenário de investimentos e modernização da indústria. Segundo dados divulgados pela organização com base em informações da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST), o setor brasileiro movimenta mais de R$ 130 bilhões por ano, emprega aproximadamente 379 mil trabalhadores e reúne mais de 14 mil empresas de transformação e reciclagem.
As projeções também apontam para investimentos de R$ 31,7 bilhões na indústria do plástico entre 2025 e 2027, direcionados à ampliação da capacidade produtiva, automação, desenvolvimento de embalagens sustentáveis e novas tecnologias de reciclagem.
SANTA CATARINA NO CENTRO DA TRANSFORMAÇÃO
A escolha de Joinville para sediar a Interplast acompanha a força industrial da cidade e do Estado. Santa Catarina possui uma cadeia diversificada de transformação de plásticos, com empresas que atuam em segmentos como embalagens, construção civil, automotivo, eletrodomésticos, agronegócio e bens de consumo.
A dimensão dessa cadeia foi destacada pelo presidente do SIMPESC, Fernando de Oliveira. Para ele, um dos principais desafios atuais está na formação de profissionais capazes de acompanhar a velocidade das mudanças tecnológicas. “Santa Catarina tem uma indústria diversificada, que dá resiliência à nossa economia. A Interplast é onde as conexões do nosso setor ganham forma e onde construímos a indústria do futuro”, afirmou.
O gerente regional Norte Nordeste da FIESC, SESI e SENAI, Marco Goetten, também chamou atenção para a dimensão da cadeia produtiva na região, que emprega cerca de 17 mil trabalhadores. Na avaliação dele, o debate sobre tecnologia precisa estar acompanhado de investimentos nas pessoas. “O nosso papel aqui é jogar luz sobre temas importantes, como produtividade, capacitação, inovação e tecnologia, além da saúde, segurança e qualidade de vida do trabalhador”, destacou.
JOINVILLE COMO POLO DE INOVAÇÃO
A realização da Interplast também reforça a posição de Joinville como polo industrial e tecnológico. Representando a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), Gino Paulucci Júnior ressaltou justamente essa característica do município. Para ele, a infraestrutura e a tradição industrial da cidade criam um ambiente adequado para aproximar fabricantes de máquinas, fornecedores de tecnologia e empresas transformadoras. “Joinville é uma cidade dinâmica, moderna e tecnológica, ideal para abrigar esta feira. Nos corredores da Interplast vemos uma indústria cada vez mais moderna, inovadora e competitiva”, afirmou.
Na avaliação de Paulo Teixeira, representante da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST), a cidade também assume um papel de destaque nas discussões sobre reciclagem e transformação. “Nesta semana, Joinville é a sede do transformar e do reciclar o plástico. Estamos aqui buscando soluções e inovações, e seguimos investindo e acreditando no setor”, disse.
A prefeita de Joinville, Rejane Gambin, ressaltou a dimensão alcançada pelo evento e a importância do intercâmbio entre empresas, profissionais e instituições. Segundo ela, a evolução tecnológica aumenta a necessidade de encontros que permitam compartilhar conhecimento e experiências. “A Interplast está mais grandiosa do que nunca. Cada vez que a indústria evolui, surgem novos desafios e a troca de informações que um evento como esse possibilita, permite que todos possam evoluir”, afirmou.
NEGÓCIOS ALÉM DOS QUATRO DIAS DE FEIRA
O caráter comercial é um dos principais motores da Interplast. A expectativa da organização é movimentar mais de R$ 500 milhões em negócios durante o evento e nos 12 meses seguintes, resultado que inclui contratos e negociações iniciados nos pavilhões da Expoville.
Além da exposição de máquinas, equipamentos e materiais, a programação foi estruturada para aproximar fornecedores e compradores. A Rodada de Negócios, marcada para quarta-feira (26), reunirá fornecedores de tecnologia, produtos e serviços com dez grandes empresas compradoras dos segmentos de construção civil, agronegócio, embalagens e automotivo. A proposta é fazer com que a feira ultrapasse a lógica de exposição de produtos e se transforme em ambiente efetivo para geração de contratos, desenvolvimento de fornecedores e abertura de novos mercados.
RECICLAGEM GANHA ESPAÇO NO PRIMEIRO DIA
A sustentabilidade esteve entre os principais assuntos da programação de estreia. Realizado nesta terça-feira (25), o Encontro Técnico de Reciclagem de Plásticos e Sustentabilidade, promovido pela Revista Plástico Sul América, reuniu recicladores, transformadores, fornecedores de tecnologia e especialistas para discutir a produção de PCR, o plástico pós-consumo, e os caminhos para ampliar a circularidade dos materiais.

O encontro abordou tecnologias de processamento e filtragem, aditivos, digitalização, rastreabilidade, controle de qualidade e novas aplicações para materiais reciclados. A programação reuniu representantes e especialistas de empresas como Leistritz, FIMIC, IQX, Braskem, BALQ e Greencycle. A discussão mostrou que o avanço da reciclagem depende não apenas da coleta e disponibilidade de resíduos, mas também da capacidade de transformar esse material em uma matéria-prima com qualidade, regularidade e competitividade.
Na abertura do encontro, Juliana Seidel, líder do eixo da Rede pela Circularidade do Plástico, apresentou um panorama da reciclagem e da economia circular no Brasil e destacou resultados já alcançados e desafios para ampliar a circularidade. No eixo dedicado a tecnologia, equipamentos e cases de sucesso, Marcelo Albernaz e Roberto Mateucci, da Leistritz, apresentaram soluções para o processamento de plásticos reciclados, produção de compostos e PCR de maior qualidade. A eficiência operacional e experiências práticas de aplicação também fizeram parte da discussão.
A qualidade do material reciclado esteve novamente no centro do debate com Omar Ruesga Pelayo, diretor de vendas da FIMIC para a América do Sul, e Luiz Henrique Hartmann, que abordaram o papel dos sistemas de filtragem na produção de PCR. Entre os pontos discutidos estiveram a eficiência dos equipamentos, tempo de atividade, qualidade do pellet e retorno sobre o investimento.
A programação avançou ainda para o uso de aditivos na valorização de materiais reciclados. Silmara Neves, da IQX, apresentou soluções para melhorar propriedades e desempenho do PCR e discutiu a integração entre aditivos e tecnologias de reciclagem. A experiência da indústria também esteve presente na apresentação de Juliana Rosa, da Braskem, que mostrou iniciativas relacionadas à economia circular, resultados obtidos e oportunidades para o mercado de reciclados.
Outro tema foi a digitalização da cadeia. Rodrigo Fabian Gálvez, da BALQ, tratou da integração entre matéria-prima, máquinas, moldes e produtos, com destaque para rastreabilidade, documentação, controle de qualidade e tomada de decisões baseada em dados. O encerramento ficou a cargo de Cauê Andres, da Greencycle, que discutiu inovação circular com resinas PCR e as oportunidades de ampliar a utilização de materiais reciclados em aplicações industriais.
Mais do que apresentar tecnologias isoladas, o encontro evidenciou que o avanço da reciclagem depende da integração entre diferentes elos da cadeia. Processos mais eficientes, materiais de maior qualidade, rastreabilidade, inovação tecnológica e colaboração entre empresas aparecem como elementos complementares para a construção de uma economia circular capaz de gerar valor econômico e ambiental.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL ENTRA NO DEBATE
A partir desta quarta-feira (26), a inteligência artificial passa a ocupar espaço central na programação técnica da Interplast. Pela primeira vez realizado em Joinville e integrado à feira, o 6º Congresso Brasileiro do Plástico será promovido pelo Instituto SustenPlást nos dias 26 e 27 de agosto. Com o tema “Plásticos: Soluções na Era da Inteligência Artificial”, o congresso reunirá especialistas para discutir inovação, transformação digital, sustentabilidade, economia circular e competitividade.
A presença da inteligência artificial na programação acompanha uma mudança já observada no ambiente industrial, com o avanço de ferramentas capazes de apoiar manutenção, controle de qualidade, análise de dados, planejamento e tomada de decisões. A programação técnica será complementada por 35 workshops de empresas expositoras nos dias 26 e 27, com apresentações sobre automação, reciclagem, sustentabilidade, matérias-primas, periféricos, moldes, controle de processos e inovação aplicada.
FORMAÇÃO PROFISSIONAL GANHA ESPAÇO
Outro destaque é a competição Mestres da Injeção, promovida pelo SENAI em parceria com a ROMI durante os quatro dias da feira. Inspirado no formato da WorldSkills Competition, o desafio reunirá profissionais e estudantes para demonstrar conhecimento técnico, agilidade e precisão na operação de máquinas injetoras e na resolução de problemas relacionados à indústria.
A iniciativa dialoga diretamente com uma das preocupações apresentadas durante a abertura: a necessidade de formar profissionais capazes de acompanhar a modernização da indústria. A combinação entre automação, inteligência artificial, novos materiais e processos mais eficientes aumenta a demanda por trabalhadores preparados para atuar em ambientes produtivos cada vez mais tecnológicos.
UMA FEIRA QUE REFLETE A TRANSFORMAÇÃO DO SETOR
Ao reunir tecnologia, negócios, qualificação profissional e sustentabilidade em um mesmo espaço, a Interplast 2026 procura refletir as principais mudanças em curso na indústria de transformação do plástico. O desafio é duplo. De um lado, as empresas precisam investir em produtividade, automação e inovação para competir em um mercado cada vez mais tecnológico. De outro, precisam responder às exigências relacionadas à sustentabilidade, à redução de resíduos, à reciclagem e à economia circular.
Nesse cenário, a feira funciona como uma fotografia do momento vivido pelo setor. Máquinas mais inteligentes, processos automatizados, materiais reciclados, rastreabilidade, inteligência artificial e novas soluções de produção dividem espaço com questões tradicionais, como formação de mão de obra, custos, qualidade e competitividade. Ao completar 25 anos, a Interplast chega a 2026 justamente em meio a essa transição. A expectativa da organização é que os quatro dias de evento não apenas movimentem negócios, mas também contribuam para definir caminhos tecnológicos e industriais para os próximos anos.
SERVIÇO
Interplast 2026 – Feira e Congresso de Integração da Tecnologia do Plástico
Data: 25 a 28 de agosto de 2026
Local: Expoville, Joinville (SC)
Feira: das 13h às 20h
Realização: SIMPESC
Organização: Messe Brasil
Credenciamento e programação completa: interplast.com.br
