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INDÚSTRIA QUÍMICA GAÚCHA ENTREGA A CANDIDATOS AO GOVERNO DO RS DIAGNÓSTICO E PROPOSTAS PARA O SETOR

Entidades que representam a indústria química, petroquímica e de transformação de plásticos no Rio Grande do Sul entregaram aos candidatos ao Governo do Estado um diagnóstico sobre as condições atuais da cadeia produtiva e um conjunto de cinco propostas para a próxima gestão. A iniciativa foi conduzida pelo Sindicato das Indústrias Químicas no Estado do Rio Grande do Sul (Sindiquim/RS) e pelo Comitê de Fomento Industrial do Polo (Cofip RS), com articulação da área de Relações Institucionais da Braskem no Estado.

A proposta apresenta a dimensão do setor, da qual reúne cerca de duas mil empresas e 46 mil empregos e é considerado o segundo maior PIB industrial do Rio Grande do Sul. O documento entregue aos candidatos apresenta uma avaliação dos principais obstáculos enfrentados pela cadeia nos últimos cinco anos e defende que a indústria química e petroquímica seja tratada como uma área estratégica para o desenvolvimento econômico estadual.

Entre os fatores apontados estão o aumento da concorrência internacional, com crescimento das importações de resinas e insumos, os custos das principais matérias primas, especialmente gás natural e nafta, dificuldades logísticas, diferenças de condições competitivas em relação à Zona Franca de Manaus e as consequências de tensões geopolíticas envolvendo importantes produtores e fornecedores internacionais.

O diagnóstico também relaciona a competitividade da indústria às condições de infraestrutura e ao ambiente de negócios. O Sindiquim atua na representação institucional das indústrias químicas do Estado e mantém entre suas atribuições a defesa dos interesses coletivos do setor e a interlocução com órgãos governamentais e entidades reguladoras.

No documento, as entidades afirmam que a indústria química e petroquímica instalada no Estado deve ser considerada um ativo estratégico. O posicionamento é assinado pelo presidente do Sindiquim/RS, Maurício Ecker Fontana, e pelo presidente do Cofip RS, Nelzo Luiz Neto da Silva, que também ocupa o cargo de diretor industrial da Braskem no Rio Grande do Sul. “Nosso pleito é que o Estado veja sua indústria química e petroquímica como um ativo instalado, valioso e estratégico, assim como outros países reconhecem e valorizam o setor, percebendo-a como fundamental para o futuro do Rio Grande do Sul”, afirmam os dirigentes no documento.

Entre as propostas apresentadas está a busca por condições mais competitivas para gás e energia, além de investimentos e medidas voltadas à infraestrutura logística. As entidades defendem a viabilização do acesso ao gás proveniente de Vaca Muerta, na Argentina, a manutenção da dragagem da hidrovia e uma solução para o sistema de operação do vão móvel da Ponte do Guaíba, apontado no documento como um obstáculo para a navegação.

A pauta logística inclui ainda apoio à reconexão ferroviária do Rio Grande do Sul. O setor também propõe que sejam revistas as diferenças de condições competitivas relacionadas à Zona Franca de Manaus, tema que, segundo as entidades, interfere na concorrência entre empresas instaladas no Estado e outros polos industriais brasileiros. A valorização da produção gaúcha aparece como uma segunda frente de atuação. As entidades propõem que o governo estadual priorize insumos e produtos fabricados no Rio Grande do Sul em suas compras públicas e em obras realizadas pelo Estado.

A terceira proposta está relacionada à inovação, pesquisa, desenvolvimento e formação profissional. O documento defende a consolidação do Hub da Indústria Química, em parceria com o Senai e universidades, além da ampliação do PRESIQ como uma política de Estado permanente. A quarta frente envolve o ambiente de negócios, a infraestrutura e a segurança jurídica. Entre as medidas sugeridas estão a desburocratização dos processos de licenciamento, a priorização de investimentos em infraestrutura logística e energética e a manutenção de um diálogo permanente entre o governo e o setor industrial.

O tema das importações constitui a quinta proposta apresentada aos candidatos. As entidades defendem mecanismos de defesa comercial e incentivos considerados legítimos para as indústrias petroquímicas, químicas e de transformação instaladas no Rio Grande do Sul. Na avaliação apresentada no documento, a adoção dessas medidas poderia contribuir para preservar operações industriais, empregos e arrecadação no Estado. As entidades também defendem políticas tributárias pontuais associadas a estímulos à produção e aos negócios, argumentando que o objetivo seria ampliar a atividade econômica e a arrecadação estadual.

A discussão sobre competitividade ocorre em uma cadeia que inclui a produção de matérias primas químicas e petroquímicas e se conecta a diversos segmentos industriais. No Rio Grande do Sul, a Braskem mantém unidades no Polo Petroquímico de Triunfo, onde produz petroquímicos básicos, polietileno e polipropileno. A empresa também informa que seu Centro de Tecnologia e Inovação de Triunfo é um de seus principais centros de pesquisa em polímeros na América Latina.

A questão energética também integra discussões recentes sobre a competitividade da indústria instalada no Estado. A Braskem informou que uma de suas plantas no Rio Grande do Sul passou a operar no mercado livre de gás natural em agosto de 2025, com consumo informado de 350 mil metros cúbicos por dia. Segundo a empresa, a mudança foi associada à busca por maior competitividade e flexibilidade nas operações. O setor químico também recebeu investimentos anunciados em 2025. De acordo com a Braskem, naquele ano foram divulgados R$ 759,3 milhões em investimentos no setor químico durante evento realizado no Polo Petroquímico de Triunfo, com participação de empresas como Braskem, Innova, Grupo OCQ e Unipar.

Com a entrega do diagnóstico, Sindiquim e Cofip colocam as condições de competitividade da cadeia química, petroquímica e de transformação de plásticos entre os temas apresentados aos candidatos ao Governo do Rio Grande do Sul. As propostas abrangem desde gás, energia e logística até compras públicas, inovação, formação profissional, ambiente regulatório e comércio exterior. A iniciativa ocorre durante o período eleitoral e apresenta aos candidatos demandas e prioridades definidas pelas entidades empresariais que representam o segmento. A decisão sobre eventuais políticas públicas e medidas de governo caberá aos futuros responsáveis pela administração estadual, dentro de suas competências e das regras legais aplicáveis.