
A Mercopar 2026 utilizará 60 mil litros de biocombustível renovável para abastecer todos os geradores de energia da feira. A iniciativa prevê evitar a emissão de mais de 135 toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂eq), incorporando uma alternativa de menor intensidade de carbono à operação de um dos principais eventos de inovação industrial da América Latina.
Realizada pelo Sebrae RS e pelo Sistema FIERGS, a feira ocorrerá de 20 a 23 de outubro, no Centro de Feiras e Eventos Festa da Uva, em Caxias do Sul (RS). O combustível escolhido é o Be8 BeVant®, desenvolvido pela Be8 para motores de ciclo diesel e aplicações como a geração de energia. Segundo a empresa, a solução permite reduzir as emissões de gases de efeito estufa sem exigir a substituição dos equipamentos já utilizados.
De acordo com Leandro Luiz Zat, vice-presidente de Operações da Be8, a redução estimada das emissões chega a 99,4% em comparação com o diesel convencional. Nos cálculos apresentados pela empresa, o volume de emissões passaria de 135,1 toneladas para aproximadamente 0,86 tonelada de CO₂ equivalente.
A adoção do combustível também demonstra como alternativas de menor impacto climático podem ser incorporadas a operações de grande porte. Para Marjorie Kauffmann, diretora-superintendente do Sebrae RS, a iniciativa aproxima o debate sobre transição energética de sua aplicação prática na indústria. “O Be8 BeVant é um biocombustível que traz inovação e conexão com a indústria e ainda agrega a questão da transição energética. Então, nós vamos entregar uma feira que não só fala sobre transição, sobre novos combustíveis, mas que se utiliza dele para manutenção e garantia energética do seu espaço”, afirma.
A iniciativa está inserida em um movimento mais amplo de descarbonização industrial, que envolve eficiência energética, redução da dependência de combustíveis fósseis e desenvolvimento de tecnologias para diminuir as emissões dos processos produtivos. Essa transformação também pode abrir oportunidades de negócios para empresas que fornecem equipamentos, materiais e serviços voltados à redução da pegada de carbono.
Alexandre Guerra, vice-presidente do Sistema FIERGS e coordenador do Conselho da Agroindústria (Conagro), destaca que a transição energética pode estimular investimentos e ampliar a procura por soluções que conciliem eficiência operacional e redução de custos. “A transição para uma economia de baixo carbono abre oportunidades econômicas para as empresas, tanto pela busca por maior eficiência energética, associada também à redução de custos, quanto pela criação de novos mercados e pela demanda por tecnologias e serviços associados à descarbonização”, afirma Guerra.
Nesse contexto, a indústria tem papel relevante no desenvolvimento de equipamentos, produtos, materiais e processos necessários para reduzir o impacto ambiental das atividades econômicas. A demanda por tecnologias de menor intensidade de carbono pode influenciar decisões de investimento e estratégias de inovação em diferentes segmentos produtivos.
Biocombustível aproveita matérias-primas renováveis e resíduos
O Be8 BeVant é produzido a partir de matérias-primas renováveis e residuais, entre elas o óleo de cozinha usado. Após a coleta e o processamento, esse material retorna à cadeia produtiva como combustível, contribuindo para o aproveitamento de resíduos e a redução do descarte inadequado. Segundo a Be8, além da redução estimada nas emissões de gases de efeito estufa, o produto proporciona menores emissões de material particulado, monóxido de carbono e hidrocarbonetos não queimados, além de maior biodegradabilidade em comparação com o diesel mineral.
A experiência da Mercopar coloca em evidência uma alternativa que combina o reaproveitamento de matérias-primas residuais com a utilização da infraestrutura de geração de energia já existente. A iniciativa demonstra uma possibilidade de aplicação de combustíveis renováveis em operações industriais e eventos de grande porte, no contexto da busca por processos mais sustentáveis.

