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Projeto de reciclagem envolve escolas da Serra Gaúcha e recolhe mais de 3,4 toneladas de materiais

Iniciativa desenvolvida pela Galvanotek em parceria com o Instituto Dileta Menetrier Bragagnolo associa educação ambiental, reaproveitamento de embalagens e geração de recursos para instituições de ensino

A ampliação da reciclagem de resíduos plásticos no Brasil passa não apenas pelo desenvolvimento de tecnologias de reaproveitamento, mas também pela conscientização da população sobre o descarte adequado dos materiais. Nesse cenário, iniciativas de educação ambiental nas escolas ganham espaço ao aproximar crianças e jovens dos princípios da economia circular, incentivando práticas que podem se estender às famílias e às comunidades.

Na Serra Gaúcha, o Projeto Reciclos, desenvolvido pela fabricante de embalagens plásticas Galvanotek em parceria com o Instituto Dileta Menetrier Bragagnolo, tem mobilizado instituições de ensino e comunidades dos municípios de Barão e Carlos Barbosa (RS). Em menos de três meses de atividades, a iniciativa contabilizou a coleta de 3.434,6 quilos de materiais recicláveis, com a participação de estudantes, entidades, empresas e voluntários.

O projeto busca integrar a conscientização ambiental à recuperação de resíduos, demonstrando como o descarte correto pode contribuir para a reinserção de materiais na cadeia produtiva. Para Paula Bragagnolo, analista de Pesquisa e Desenvolvimento da Galvanotek, o envolvimento dos estudantes é uma forma de aproximar os conceitos de sustentabilidade das atividades cotidianas. “A educação ambiental é uma das bases da economia circular. Quando aproximamos estudantes desse processo, mostramos que cada embalagem descartada corretamente pode voltar ao ciclo produtivo e gerar novos produtos“, afirma. A proposta também permite apresentar aos alunos as diferentes etapas percorridas pelos resíduos, desde a separação até sua transformação em matéria-prima.

Além do caráter educativo, a iniciativa estabelece um mecanismo de retorno financeiro para as instituições participantes. Os materiais arrecadados são encaminhados à reciclagem, e os recursos obtidos com sua destinação são revertidos às escolas. Dessa forma, a participação das comunidades contribui tanto para a redução do descarte inadequado quanto para a geração de recursos que podem ser utilizados pelas instituições de ensino.

A atuação conjunta com o Instituto Dileta Menetrier Bragagnolo também envolve atividades de conscientização e distribuição de materiais educativos. Segundo Arlei Dupont, coordenador da instituição, o contato dos estudantes com a coleta de recicláveis contribui para levar o debate ambiental além do ambiente escolar. “Quando as escolas participam desse processo, o aprendizado ultrapassa a sala de aula e chega às famílias. A educação ambiental ganha força quando os estudantes conseguem enxergar, na prática, como pequenas atitudes podem gerar impactos positivos para toda a comunidade“, afirma. O envolvimento de diferentes participantes permite que a iniciativa alcance outros espaços de convivência e incentive a continuidade dos hábitos de separação de resíduos.

Reaproveitamento de materiais e economia circular

A destinação dos resíduos também se relaciona às transformações observadas na indústria de embalagens, que tem ampliado a utilização de matérias-primas recicladas em seus processos produtivos. Na Galvanotek, aproximadamente 60% da matéria-prima utilizada é composta por resina reciclada, segundo informações da companhia. A fabricante emprega a tecnologia ABA, que permite estruturar embalagens em diferentes camadas e utilizar PET reciclado em aplicações destinadas ao contato com alimentos, observadas as exigências sanitárias aplicáveis.

Com 35 anos de atuação em 2026, a empresa utiliza o projeto como uma oportunidade para demonstrar a relação entre consumo, descarte e reaproveitamento de materiais. “Nossa proposta é mostrar, na prática, que as embalagens podem voltar para a empresa e se transformar em novos produtos. É um ciclo que faz sentido econômico e ambiental. E quando as escolas participam ativamente desse processo, os alunos veem o impacto real das suas ações“, destaca Paula. A abordagem reforça a importância de conectar as ações de coleta à existência de processos industriais capazes de transformar resíduos em novos insumos.

Educação ambiental e identificação dos plásticos

Para complementar as atividades de coleta, o Projeto Reciclos conta com uma cartilha educativa elaborada pela Galvanotek em parceria com o Instituto Dileta Menetrier Bragagnolo. O conteúdo apresenta conceitos de economia circular, diferentes tipos de plásticos recicláveis e orientações sobre separação de resíduos, além de explicar as etapas envolvidas na transformação de embalagens descartadas em novos produtos.

Outro aspecto abordado é a identificação dos materiais, considerada uma etapa importante para facilitar a triagem e a destinação adequada dos resíduos. As embalagens fabricadas pela Galvanotek possuem a inscrição “Recicle-me”, utilizada para incentivar o descarte correto e auxiliar sua identificação pelos agentes envolvidos na coleta e na reciclagem.

A necessidade de melhorar o reconhecimento dos diferentes tipos de plástico ainda representa um desafio para o aproveitamento desses materiais. “Ainda existe no Brasil um grande problema de identificação dos tipos de plástico. Precisamos educar desde cedo para que a reciclagem seja feita de forma correta e eficiente. Esse projeto nas escolas é fundamental para construirmos uma cultura de sustentabilidade de verdade“, completa Paula. Nesse contexto, a combinação entre informação, participação comunitária e infraestrutura de reciclagem torna-se um elemento importante para ampliar a recuperação de resíduos e fortalecer a economia circular.