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ColombiaPlast 2026: Um HUB para a inovação e conexão do mercado sulamericano

Bruna Folster -Especialista em Sustentabilidade, Biotecnologia e Economia Circular
Bruna Folster -Especialista em Sustentabilidade, Biotecnologia e Economia Circular

Por Bruna Folster

Conexões entre Brasil, Colômbia, América Central e Caribe, pela perspectiva de quem participou da feira e das empresas que buscam ampliar sua presença na região.

Realizada de 28 de setembro a 2 de outubro, em Bogotá, a ColombiaPlast reuniu mais de 320 expositores. Tive a oportunidade de participar como palestrante sobre biodegradação e acompanhar o encontro entre diferentes perspectivas sobre materiais, processos e oportunidades de negócios.

No norte da América do Sul, o país oferece um ponto de encontro com empresários da região andina, da América Central e do Caribe. Na minha experiência durante a feira, essa proximidade favoreceu contatos com mercados como Panamá, Guatemala e República Dominicana. Para quem busca ampliar sua atuação internacional, estar ali permite conhecer demandas e construir relações com países que nem sempre aparecem com a mesma frequência na nossa agenda comercial.

Participar da ColombiaPlast 2026, em Bogotá, me chamou a atenção para uma característica que merece espaço na discussão sobre a internacionalização da nossa indústria: a localização da Colômbia e sua capacidade de aproximar mercados.

As conversas com empresários e representantes do setor ajudam a entender onde estão as necessidades dos compradores, quais tecnologias podem atendê-las e como empresas de diferentes países podem trabalhar juntas.

Proximidade que gera parceria

Para Mauricio Navarrete Andrade, gerente-geral da America Trading Company, o principal resultado da participação foi o contato com empresários nacionais, estrangeiros e compradores interessados nas tecnologias da empresa.

Seu relato traz um exemplo concreto de aproximação com o Brasil: a companhia mantém conversas com empresas de São Paulo para desenvolver produtos cuja realização tem sido mais difícil na Colômbia. A possibilidade de acompanhar os projetos presencialmente ajuda a fortalecer essa relação.

“Brasil está muito perto da Colômbia e podemos viajar com facilidade para acompanhar o desenvolvimento dos projetos e criar essa conexão entre seres humanos, que é muito importante para construir vínculos de longo prazo.”

Mauricio Navarrete Andrade

Gerente-geral da America Trading Company

Essa complementaridade também aparece na avaliação de Alejandra Preciado, coordenadora da ColombiaPlast e eventos relacionados na Acoplásticos. Sua análise destaca como as capacidades industriais dos dois países e a localização da Colômbia podem favorecer novas parcerias regionais.

“O mercado colombiano é sólido e está em crescimento. A relação com o Brasil é complementar e tem amplo espaço para crescer nas duas direções. O Brasil oferece escala em embalagens flexíveis e rígidas, masterbatches, filmes técnicos e máquinas, com proximidade logística e afinidade comercial. A Colômbia oferece uma base transformadora em expansão e uma localização estratégica em direção à América Central, ao Caribe e à região andina.”

Alejandra Preciado

Coordenadora da ColombiaPlast e eventos relacionados na Acoplásticos

Entre as oportunidades indicadas pela associação estão transferência de tecnologia, fornecimento de máquinas e matérias-primas, desenvolvimento conjunto e investimentos para alcançar outros mercados a partir da Colômbia.

Presença marcante de empresas tupiniquins

Os dados encaminhados por Carlos Moreira, diretor executivo do Instituto Nacional do Plástico e de Projetos do Think Plastic Brazil, ajudam a dimensionar os resultados da ação brasileira na feira.

No painel de avaliação dos projetos da ApexBrasil, as 29 empresas respondentes declararam US$ 412 mil em negócios realizados e US$ 6,64 milhões em expectativa de negócios para os 12 meses seguintes. O levantamento registra 28 negócios fechados, 177 negócios esperados, 735 reuniões e contatos comerciais e 636 novos contatos gerados.

Todas as respondentes avaliaram positivamente a organização, e 93,1% manifestaram interesse em participar da próxima edição.

São resultados declarados pelas empresas participantes desse levantamento. A diferença entre vendas realizadas e expectativas futuras mostra também a importância da continuidade: acompanhar propostas, aprofundar conversas e transformar o primeiro contato em uma relação comercial.

Na experiência da MTF Termoformadoras, a qualificação do público contribuiu para a produtividade da participação.

“O que mais nos chamou a atenção foi o nível de profissionalismo dos visitantes que recebemos, com um público altamente qualificado e diretamente ligado ao setor do plástico.”

Rui Filho

Diretor comercial da MTF Termoformadoras

Rui também identificou oportunidades relacionadas ao agronegócio. Seu depoimento mostra como a participação presencial permite reconhecer demandas específicas e avaliar de que maneira a tecnologia brasileira pode contribuir para atendê-las.

Inovação como diferencial para a competitividade internacional

Na avaliação de Carlos Moreira, diretor executivo do Instituto Nacional do Plástico e de Projetos do Think Plastic Brazil, rastreabilidade, certificação e comprovação do desempenho dos materiais são fundamentais para a competitividade internacional. Sua análise conecta as tendências observadas na feira ao trabalho de preparação das empresas brasileiras para ampliar sua presença em outros mercados.

“É uma direção que considero fundamental para o trabalho do Portfólio Think Plastic Brazil: preparar nossas empresas para apresentar soluções com qualidade, viabilidade econômica e atributos ambientais comprovados.”

Carlos Moreira

Diretor executivo do Instituto Nacional do Plástico e de Projetos do Think Plastic Brazil

Rodrigo Mosqueira, gerente-geral da Techmer LATAM, acrescenta a importância dos materiais de maior valor agregado e das tecnologias que melhoram a eficiência dos processos e facilitam a circularidade dos plásticos.

“Também vejo um interesse crescente por estabelecer alianças tecnológicas e comerciais que permitam aos fabricantes diferenciar-se e competir além do preço.”

Rodrigo Mosqueira

Gerente-geral da Techmer LATAM

Para Rodrigo, as capacidades industriais de Brasil e Colômbia podem se complementar em inovação, materiais especializados e colaboração industrial. Melhorar um processo, desenvolver uma formulação ou atender a uma necessidade ainda pouco explorada são caminhos para transformar essa complementaridade em projetos.

Saí da ColombiaPlast com a percepção de que temos oportunidades importantes de aproximação regional. Os contatos com países vizinhos, as demandas identificadas pelas empresas e a disposição para desenvolver soluções em conjunto mostram caminhos que merecem continuidade. Ao invés de focarmos somente nos mercados offshore, deveríamos dar mais atenções aos nossos vizinhos e reconhecer oportunidades muitas vezes ignoradas

Para mim, esse é um dos principais valores de participar: conhecer as pessoas por trás das empresas, compreender suas necessidades e descobrir o que podemos construir juntos.