
O consumo de plásticos de engenharia na América do Sul deve avançar nos próximos anos, acompanhando a ampliação das aplicações desses materiais em produtos destinados ao uso cotidiano. Estudo da Mordor Intelligence estima que o mercado regional passe de 3,94 milhões de toneladas em 2026 para mais de 5 milhões de toneladas até 2031, movimento que também reflete a evolução das características técnicas dos polímeros.
Entre os materiais que ganham espaço está o ABS, sigla para acrilonitrila butadieno estireno, utilizado em aplicações que demandam resistência, estabilidade e possibilidades variadas de acabamento. No ambiente doméstico, a expansão desse tipo de plástico acompanha uma mudança na percepção sobre o material, que passa a ser associado também a desempenho, durabilidade e liberdade de design. A evolução da engenharia de materiais contribuiu para ampliar as possibilidades de uso dos polímeros, inclusive em situações nas quais resistência à umidade e menor necessidade de manutenção são fatores relevantes.
Nesse contexto, a aplicação do plástico deixa de estar restrita a soluções de menor valor agregado e passa a integrar projetos nos quais aspectos funcionais e estéticos são considerados conjuntamente. “Existe um movimento claro de revisão de conceitos. O plástico utilizado hoje não tem relação com o que se via no passado. Estamos falando de materiais de engenharia, desenvolvidos para atender exigências técnicas e estéticas cada vez mais elevadas”, afirma Bruna Stipp, gerente de Produto, Mercado e Pricing do Grupo Krona. Segundo ela, o ABS reúne características que permitem atender a diferentes exigências de produtos voltados ao ambiente doméstico. “O ABS, por exemplo, oferece alta durabilidade, estabilidade e um acabamento que permite explorar diferentes propostas de design, com funcionalidade garantida”, reforça.

A possibilidade de combinar características técnicas com diferentes formatos e acabamentos também influencia a presença desses materiais em itens para cozinhas e banheiros. Torneiras, por exemplo, podem utilizar o ABS em componentes nos quais resistência à umidade e variedade estética fazem parte dos requisitos do produto. O mesmo ocorre em outras categorias de equipamentos domésticos, como purificadores de água. Nesses casos, o material é empregado em produtos que precisam conciliar resistência, leveza e características de design para uma utilização frequente. O desenvolvimento de diferentes soluções com polímeros de engenharia acompanha, assim, a busca por produtos adaptados a ambientes domésticos com múltiplas funções.
A resistência à corrosão é outro aspecto associado ao uso do ABS em determinadas aplicações. Diferentemente dos metais suscetíveis à corrosão, o polímero não sofre esse processo, característica que pode contribuir para reduzir a necessidade de substituição relacionada a esse tipo de desgaste. O material também pode ser utilizado em produtos com garantias estendidas, como ocorre com determinadas linhas de torneiras e purificadores citadas no material. Essa combinação entre desempenho e aparência acompanha uma transformação nos próprios critérios considerados em projetos residenciais. A escolha dos materiais passa a envolver não apenas sua função imediata, mas também aspectos como manutenção, durabilidade, ergonomia e integração visual com o ambiente.
Na avaliação de Bruna Stipp, as mudanças no comportamento e nas preferências dos consumidores também ajudam a explicar essa transformação. “Percebemos um movimento global de busca por casas com cara de casa, por ambientes acolhedores e a crescente adesão por cores, formas e movimento. Esse novo olhar do consumidor também amplia a forma como os materiais são percebidos dentro dos projetos, inclusive o plástico, que passa a ser valorizado não apenas pela funcionalidade, mas pelo design e pela versatilidade”, pontua. A avaliação aponta para uma mudança na maneira como os polímeros de engenharia são incorporados aos ambientes domésticos. A ampliação das possibilidades de acabamento e conformação permite que o material participe de diferentes propostas de design, enquanto suas características técnicas atendem a requisitos de uso contínuo.
O avanço projetado para o consumo de plásticos de engenharia na América do Sul até 2031, portanto, ocorre em paralelo a uma diversificação das aplicações. A expansão do mercado não está relacionada apenas ao aumento do volume utilizado, mas também ao desenvolvimento de materiais capazes de atender a exigências específicas de desempenho, durabilidade e projeto.

