O agravamento dos conflitos no Oriente Médio já provoca efeitos concretos sobre a cadeia petroquímica global e começa a impactar diretamente o mercado brasileiro de resinas plásticas. A combinação de alta nos preços de matérias-primas, restrições logísticas e incertezas no abastecimento tem elevado custos, reduzido previsibilidade e tensionado a relação entre os diferentes elos da indústria, da produção ao consumo final.
Em comunicado, a Associação Brasileira de Distribuidores de Resinas Plásticas e Afins (ADIRPLAST) alertou para um cenário de forte pressão sobre a oferta e os preços. Segundo a entidade, a escalada do conflito impulsionou o valor do petróleo, com reflexo direto na nafta, insumo essencial da indústria petroquímica, e, consequentemente, nas resinas plásticas, plásticos de engenharia e filmes biorientados. Para a presidente da ADIRPLAST, Cecilia Vero, os impactos já atingem toda a cadeia. “O conflito internacional tem levado a uma restrição sem precedentes da oferta e a aumentos expressivos dos preços ao longo de toda a cadeia. As empresas brasileiras não possuem estoques suficientes para sustentar, por muito tempo, uma eventual ruptura contínua na oferta, e os efeitos dessa limitação já começam a ser sentidos no mercado”, afirmou.
A avaliação é compartilhada pela indústria transformadora. Em entrevista, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (ABIEF), Eduardo Berkovitz, destacou que a instabilidade afeta estruturalmente toda a cadeia de flexíveis, com impacto direto nos custos industriais. “Sem dúvida, esta instabilidade atinge toda a cadeia de flexíveis. A alta do petróleo eleva o preço da nafta e do gás natural, que pressionam o custo do eteno e propeno que são a base das resinas termoplásticas”, disse. Segundo ele, além do aumento de custos, a crise também tem efeitos logísticos relevantes, envolvendo restrições no Estreito de Ormuz, paralisações de produção, suspensão de rotas e encarecimento do frete e de seguros, ampliando a incerteza comercial. “O resultado é uma relação mais tensionada entre petroquímica, transformadores e clientes finais; o custo sobe, o abastecimento fica mais incerto e as decisões comerciais passam a ocorrer em um ambiente de forte volatilidade”, completou.
Apesar do cenário de alerta apontado por distribuidores e transformadores, a indústria química brasileira afirma que não há, no curto prazo, indicativos concretos de risco de desabastecimento no país. Em posicionamento oficial, a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) avaliou que, mesmo em um cenário extremo de queda nas importações, a indústria nacional dispõe de capacidade ociosa suficiente para suprir a demanda doméstica. “Não há dados que indiquem impactos reais sobre o abastecimento no Brasil, no curto prazo. A indústria química tem capacidade ociosa suficiente para suprir a demanda doméstica”, declarou o presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro. A entidade também criticou análises que projetam colapso de suprimentos com base em preços pontuais de mercado (“spot”), destacando que o setor opera majoritariamente com contratos de médio prazo. “Análises alarmistas e equivocadas desconsideram que o setor químico trabalha com contratos e cláusulas de demanda firme, o que garante previsibilidade ao suprimento”, afirmou Cordeiro.
A Abiquim também chamou atenção para a elevada ociosidade do setor no Brasil, que alcançou média de 41% em 2025, o pior nível em 30 anos, e chega a 45% em intermediários para plásticos. Para André Passos Cordeiro, o desafio estrutural da indústria não está na falta de produto, mas na competitividade frente ao aumento das importações. “O desafio central da indústria química brasileira não é a falta de produto, mas a competitividade da produção nacional”, disse. Segundo ele, esse cenário reforça a necessidade de instrumentos de defesa comercial e políticas mais firmes para enfrentar práticas desleais e reduzir a pressão sobre as fábricas instaladas no país.
Apesar do cenário adverso, a ABIEF não defende mudanças estruturais imediatas na organização da cadeia, mas sim maior rigor na gestão. Segundo Berkovitz, “a ABIEF não propõe uma reforma explícita da dinâmica da cadeia nem um redesenho contratual ou organizacional entre os agentes. Aconselhamos o monitoramento constante do mercado, planejamento de abastecimento, análise profunda dos custos e decisões estratégicas baseadas em informação qualificada, sempre com a avaliação individual de cada empresa e observando a legislação.”
A posição revela uma abordagem pragmática diante da crise: em vez de reconfigurações amplas, a prioridade está na qualificação da tomada de decisão. Isso implica maior uso de inteligência de mercado, revisão contínua de estratégias de compra e uma postura mais analítica frente às oscilações de disponibilidade. A pressão sobre margens e crédito também exige respostas cautelosas por parte das empresas transformadoras. O presidente da ABIEF reforça a necessidade de decisões fundamentadas em dados e alerta contra reações precipitadas. “Fazemos um alerta às reações apressadas, com pouco embasamento em fatos, e que podem ampliar a exposição ao risco em um ambiente fortemente influenciado por fatores externos.”
Com visões distintas sobre o risco imediato de abastecimento, ADIRPLAST, ABIEF e ABIQUIM convergem, no entanto, ao reconhecer que o ambiente global impõe maior volatilidade e exige decisões mais estratégicas das empresas. Para Cecilia Vero, a preocupação central é a limitação de estoques e a pressão crescente sobre preços e oferta. Já Eduardo Berkovitz defende monitoramento constante e rigor analítico para evitar reações precipitadas. André Passos Cordeiro, por sua vez, sustenta que o Brasil tem capacidade produtiva para responder a choques externos, mas alerta que a competitividade do setor depende de medidas estruturais e de comércio exterior para garantir equilíbrio à indústria nacional.
A Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Flexíveis (ABIEF) elegeu por unanimidade Eduardo Berkovitz como o novo Presidente do Conselho de Administração, com mandato para o biênio 2025-2027. Ele assume oficialmente no próximo dia 9 de abril, sucedendo Rogério Mani, que presidiu a entidade nos últimos seis anos.
Berkovitz, que tem uma vasta experiência no setor industrial e em organizações de fomento à inovação, traz como principais pilares de sua gestão a Governança e a Sustentabilidade. A ideia é fortalecer o relacionamento entre os diferentes elos da cadeia produtiva de embalagens plásticas flexíveis e do plástico como um todo. Em sua visão, é essencial comunicar de forma eficiente as vantagens das embalagens plásticas, desconstruindo preconceitos e educando tanto o público interno (associados) quanto o externo (mercado, consumidores e governo).
“Não podemos mostrar todos os atributos das embalagens flexíveis sem valorizar o plástico e suas inúmeras vantagens. A comunicação deve ser eficaz para promover o entendimento sobre o plástico e a importância de sua utilização de maneira sustentável”, afirmou Berkovitz.
Além disso, o novo presidente destaca a importância da colaboração com outras associações do setor. “Acredito que a ABIEF deve abrir suas portas para entidades parceiras e projetos que busquem soluções inovadoras para desafios como a redução do desperdício de alimentos e a garantia de segurança alimentar, temas que têm ganhado destaque mundial”, complementa.
No campo da sustentabilidade, Berkovitz promete trabalhar com ações concretas para incentivar a reciclagem, dentro de um modelo de economia circular. Ele também ressalta a importância de acompanhar a regulamentação da União Europeia sobre embalagens e resíduos (PPWR), que promete impactar a gestão de embalagens também no Brasil. “Essa mudança de paradigmas na gestão de embalagens na Europa irá exigir colaboração entre governos, indústrias e consumidores para que possamos alcançar os objetivos propostos”, explicou.
Rogério Mani, que finaliza seu mandato, expressou satisfação com a transição e confiança no trabalho de Berkovitz. “Encerro com a sensação de missão cumprida, especialmente por saber que o novo presidente é um profissional talentoso e amigo de longa data, que certamente levará a ABIEF a novos patamares”, afirmou Mani.
Sobre Eduardo Berkovitz:
Berkovitz é engenheiro químico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com pós-graduação em Engenharia Econômica pela Universidade Estácio de Sá e MBA Executivo pela Fundação Dom Cabral e pela University of British Columbia. Sua carreira começou em 1980 na indústria química e, ao longo dos anos, se destacou em diversas funções de liderança no setor, incluindo na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e no Instituto Mauá de Tecnologia. Atualmente, é Diretor de Relações Institucionais e Compliance na Valgroup.
A ABIEF (Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Flexíveis – www.abief.org.br) está divulgando os resultados do estudo sobre o desempenho da indústria de embalagens plásticas flexíveis no primeiro semestre de 2024, feito com exclusividade pela Maxiquim. O destaque fica para um cenário de crescimento sustentável, apesar dos desafios econômicos e climáticos enfrentados.
Segundo o estudo, o setor de embalagens plásticas flexíveis registrou um aumento de 5,6% na produção, atingindo um total de 1.133 mil toneladas no primeiro semestre de 2024 em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esse crescimento reflete a resiliência dessa indústria, impulsionada principalmente pela demanda dos mercados de alimentos e agropecuária, que cresceram 7,7% e 10,9%, respectivamente. A alta é mais expressiva no consumo aparente: 8,2% no comparativo do primeiro semestre de 2024 contra o mesmo período de 2023.
O setor de alimentos continua sendo o grande cliente da indústria de embalagens plásticas flexíveis com um consumo de 41% do total produzido. Na sequência vêm: agropecuária e varejo, cada um com 13% de participação; bebidas, 12%; e industrial, 9%. Contudo, o setor que registrou a maior alta no consumo de embalagens plásticas flexíveis no período foi pet food com 26,7%; limpeza doméstica e higiene pessoal também registraram uma alta expressiva de 13% e 10,8%, respectivamente.
As resinas mais consumidas pelo setor foram PEBD (polietileno de baixa densidade) e PEBDL (polietileno linear de baixa densidade), com alta de 6% no primeiro semestre de 2024 em comparação a igual período do ano anterior, seguidas por PP (polipropileno), +5%, e PEAD (polietileno de alta densidade), +3,1%. Filmes shrink (encolhíveis) responderam por 12% do total produzido; sacolas e sacos por 10%; e filmes stretch (estiráveis) por 8%. As estruturas monocamada dominam, com 61% de participação.
Impactos das condições climáticas & Perspectivas segundo semestre
As enchentes no Rio Grande do Sul, em maio deste ano, tiveram impactos significativos na produção local de filmes flexíveis, além de reduzir temporariamente a demanda na região. Mas de acordo com o estudo, houve uma rápida recuperação, com a maioria das empresas retomando suas operações até agosto, o que contribui para um avanço mais acentuado da produção industrial no final do semestre.
No âmbito do comércio exterior, o setor observou um aumento expressivo de 63,4% nas importações em relação ao primeiro semestre de 2023, enquanto as exportações registraram uma queda de 6,5%. Esses números refletem as flutuações do mercado global e as estratégias de abastecimento da indústria brasileira.
“Com base neste cenário, entendemos que o segundo semestre de 2024 chega com perspectivas positivas. Entre elas, a expectativa de aumento na demanda por resinas recicladas, favorecendo uma produção mais sustentável”, comenta Rogério Mani, empresário e Presidente da ABIEF. Segundo ele, outra aposta forte é o fortalecimento do poder de compra das famílias brasileiras que deve continuar impulsionando o consumo de embalagens flexíveis, especialmente nos setores de alimentos e bens de consumo.
Rogério completa: “O fortalecimento do consumo tem a ver com a sazonalidade do segundo semestre, mas também com o crescente poder de compra das famílias em função do cenário de melhora da situação financeira e do mercado aquecido. Mas precisamos ficar atentos à inflação dos alimentos, que caiu em julho, mas pode frear esse cenário, caso volte a ficar pressionada nos próximos meses.”
Não é novidade que os utensílios plásticos de uso único podem e devem ser reciclados. Infelizmente, a falta de conhecimento gera incertezas com relação a esses produtos, não resolve as questões ambientais e ainda pode aumentar o problema, já que o descarte inadequado desses e de outros diversos itens é o que verdadeiramente tem colocado em risco a preservação do meio ambiente.
Dentro deste contexto, não foi com surpresa que a ADIRPLAST (Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas e Afins) recebeu as informações da pesquisa contratada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pela organização Oceana, afinal não é de hoje que o plástico vem sendo apontado como inimigo número um do meio ambiente e, principalmente, como poluente dos oceanos. Os dados da pesquisa em questão foram publicados em 2021 pelo jornal O Estado de São Paulo, na matéria “Clientes de iFood e UberEats são contra uso de plástico e querem mudanças”.
A falta de informação aprofundada sobre o tema, aliada a dados incompletos, é um dos grandes motivos pelos quais algumas pessoas, tem pensamentos equivocados quanto ao uso do plástico no mundo. Além disso, também explica por que 72% das 1.000 pessoas que participaram da pesquisa, todas usuárias tanto do iFood quanto do UberEats e de outros aplicativos, disseram que gostariam de receber seus pedidos sem plástico descartável. A própria matéria do Estadão, por exemplo, ajuda a fortalecer algumas inverdades sobre os itens descartáveis feitos de plástico. Um deles é de que o plástico utilizado nesses produtos está “praticamente no final de sua vida útil". Isso não é verdade. Conforme comunicado divulgado pela ADIRPLAST ,os plásticos utilizados para atender aos pedidos de delivery de comida têm totais condições para serem reciclados e voltarem à vida na forma de inúmeros outros produtos, como tubulações elétricas, embalagem de produtos agrícolas e de lubrificantes, vasos de plantas e artigos de construção civil, rodapés, molduras de quadros, entre outros tantos produtos. Para tanto, basta que sejam reciclados.
Outra informação questionável da reportagem é de que a maior parte do lixo plástico descartável “vai parar nos oceanos” embora nenhuma fonte tenha sido apresentada para endossar essa informação. Infelizmente os aterros sanitários ainda são o fim comum para o plástico não reciclado no Brasil. Essa realidade esteja caminhando para o fim, já que muitas embalagens plásticas para alimentos produzidas anualmente no país, são recicladas. Isso significa que cerca de 700 mil toneladas desses plásticos já são reutilizadas, ao invés de serem apenas descartados, aponta levantamento do Instituto Socioambiental dos Plásticos (Plastivida) e da Associação Brasileira da Indústria Plástica (Abiplast).
Ponto interessante da pesquisa, no entanto, é que 68% dessas mesmas pessoas que participaram do levantamento disseram achar que recebem embalagens na medida certa. Isso mostra que, entre a percepção de que o plástico é um material nocivo ao meio ambiente e a realidade dos benefícios e da praticidade proporcionada por esses produtos, impera a última. O plástico é um material que vem sendo usado pela indústria alimentícia há muitos anos e que ajuda não apenas a conservar os alimentos, minimizar o desperdício e também evitar que eles sejam contaminados por agentes externos.
Com o objetivo de entender a opinião da população brasileira sobre o uso de plástico como sacos, sacolas, copos, pratos e talheres, a Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Flexíveis (ABIEF) e o Instituto SustenPlást encomendaram ao Datafolha pesquisa sobre a Opinião da população sobre uso de plásticos. A pesquisa foi quantitativa, com abordagem presencial em pontos de fluxo, mediante aplicação de questionário estruturado. Foram realizadas entrevistas em todas as regiões do Brasil.
O estudo, que foi objeto de matéria no Jornal Valor Econômico em agosto 2021, mostra que maioria da população brasileira (69%) acha importante continuar recebendo produtos como sacos, sacolas, copos, pratos e talheres para o uso em suas refeições (delivery em casa ou nas praças de alimentação). A pergunta foi estimulada com uma explicação sobre a questão da higiene (principalmente no contexto atual de pandemia) e da praticidade desses produtos. Nas considerações finais do estudo, o Datafolha sugere ainda que sejam reforçadas campanhas sobre plásticos de uso único, seus benefícios e vantagens, além de maiores esclarecimentos acerca da destinação e dos dados sobre reciclagem desse tipo de material, podem auxiliar no consumo consciente.
“O estudo foi contratado porque percebemos que o sentimento das pessoas era diferente do que foi mostrado por outra pesquisa. Era importante entender o que sociedade pensa a respeito. E a resposta foi contundente. A sociedade quer sim a utilização de produtos plásticos descartáveis em suas entregas em delivery e praças de alimentação”, explica o Presidente do Instituto SustenPlást, Alfredo Schmitt.
Para o dirigente, a pesquisa contratada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pela organização Oceana causou a impressão de que as pessoas consultadas não entenderam bem o significado da análise. “Ao confrontarmos com um novo estudo, que não deixou dúvidas em seus questionamentos, as respostas foram diametralmente opostas. Para as bilhões de máscaras descartadas no Brasil - que são de material plástico - a pesquisa do Pnuma nada diz. Para as milhões de embalagens de remédios, alimentos e etc., de dificílima coleta e reciclagem, em sua maioria de uso único, também nada se fala”, adverte Schmitt.
O empresário explica ainda que a cadeia produtiva do plástico tem feito muita coisa em prol da sustentabilidade e do meio-ambiente. Desde o desenvolvimento de resinas com conteúdo reciclado, processos de conscientização e mudanças de comportamentos de massa. O Tampinha Legal é iniciativa do Instituto SustenPlást com o apoio do Movimento Plástico Transforma. Através de ações modificadoras de comportamente de massa, conscientiza quanto ao destino adequado aos resíduos plásticos e faz com que a economia circular ocorra na prática.
O Presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Embalagens Flexíveis (ABIEF), Rogério Mani, afirma que o avanço na utilização do material durante a pandemia (por conta de todos os benefícios existentes na redução de riscos de contaminação) foi percebido. “Sem dúvida, tanto que uma das principais conclusões do estudo Datafolha é que a maioria da população brasileira (69%) acha importante continuar recebendo produtos como sacos, sacolas, copos, pratos e talheres de uso único (descartáveis) para utilização nas refeições, seja no delivery (em casa) ou nas praças de alimentação”, salienta o dirigente. Esta intenção, segundo Mani, é justificada pela questão da higiene (principalmente no contexto atual de pandemia) e da praticidade que estes produtos garantem, além da possibilidade de consumo on the go (em movimento), uma outra forte tendência.

O dirigente aposta muito no aumento do uso de conteúdo reciclado nas embalagens plásticas flexíveis. “Este é um movimento que cresce anualmente e continuará a crescer, alavancado pela demanda dos brand owners. O plástico não precisa acabar, ele precisa circular”, salienta o dirigente.
Mas para que as campanhas deem resultados positivos, aponta Mani, é preciso políticas públicas que incentivem a reciclagem. “Hoje, infelizmente, ainda convivemos com fatores de entrave como o baixo valor agregado dos reciclados, a bitributação, um parque industrial defasado e falta de estímulos fiscais legais. O processo é moroso e complexo”, lamenta.
Os avanços dos últimos anos no que tange potencial de reciclabilidade, consciência de consumo e descarte correto foram significativos, principalmente se considerarmos as inovações calcadas em tecnologia. O Presidente da ABIEF acredita que a tecnologia e a inovação aplicadas à sustentabilidade, reciclagem e economia circular, ajudaram a desenvolver/aperfeiçoar novos sistemas de reciclagem; e tornam possível lançar materiais de base bio, com conteúdo reciclado e recicláveis. Além disso, Mani cita que o avanço dos programas de coleta seletiva e reciclagem pós consumo também merecem destaque. “Mas, como a própria pesquisa Datafolha indica, é preciso aumentar o número de campanhas sobre os benefícios e vantagens dos plásticos de uso único, além de ampliar os esclarecimentos sobre a correta destinação e expandir a divulgação dos dados sobre a reciclagem desse tipo de material. Estas campanhas podem auxiliar de forma importante no consumo consciente”, finaliza o dirigente.
Apesar do desempenho do setor de embalagens plásticas flexíveis ter ficado aquém do esperado no 20 trimestre de 2021, o Presidente da ABIEF (Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis - www.abief.org.br),empresário Rogério Mani,está otimista quanto a uma recuperação gradual nos próximos meses. Segundo ele, a queda de 1% na produção do setor foi puxada pelo desempenho inferior de alimentos e bebidas no período. “Acreditamos que seja uma situação pontual e sazonal e que com o avanço da vacinação e redução de grande parte das medidas de restrição nas maiores cidades do país, em breve voltaremos a um ritmo de produção e consumo mais equilibrado.”
Segundo pesquisa Maxiquim recentemente divulgada e elaborada com exclusividade para a ABIEF, a indústria produziu 487 mil toneladas de embalagens plásticas flexíveis no segundo trimestre deste ano, sendo que alimentos continuou sendo o principal cliente, absorvendo 46% desse total. O segundo principal mercado foi o de embalagens industriais, com uma participação de 19%.

Entre os materiais, PEBD (polietileno de baixa densidade) e PEBDL (polietileno linear de baixa densidade) foram os mais usados, com uma participação de 73% nas 487 mil toneladas produzidas. Na sequência aparecem PP (polipropileno), com 18% e PEAD (polietileno de alta densidade), com 9%. Por aplicação, este volume foi dividido em embalagens multicamadas, com 163 mil ton; monocamada, 156 mil ton; shrink, 69 mil ton; stretch, 53 mil ton; sacolas e sacos, 40 mil ton; outros, 5 mil ton.
O estudo aponta ainda que nas importações, chapas, folhas autoadesivas e BOPP (polipropileno biorientado) seguem sendo os principais tipos de embalagens flexíveis importadas. No segundo trimestre de 2021, esses produtos somaram cerca de 85% do total. As chapas e folhas autoadesivas também são as principais embalagens flexíveis exportadas, somando 56% do volume do segundo trimestre de 2021. No período, a balança comercial do setor foi positiva com exportações que totalizaram 31 mil toneladas contra importações da ordem de 20 mil toneladas.
“O desempenho de nossa indústria está atrelado ao desempenho da macroeconomia. Contudo, sabemos que o desempenho deste segundo trimestre também está atrelado, principalmente, a uma readequação dos estoques. A cadeia produtiva como um todo, inclusive o varejo, estava bem estocada e os estoques foram usados. Ou seja, tivemos um fluxo invertido: a cadeia produtiva desovou seus estoques ao mesmo tempo em que houve queda do consumo. Mas nada indica que haja algum risco eminente de falta de produtos”, analisa Mani.
É sabido também que o segundo trimestre de 2021 não foi suficiente para a economia brasileira retomar totalmente o ritmo pré pandemia. “A demanda do consumidor final foi mais fraca do que a previamente esperada e alguns setores que vinham com bom desempenho durante a pandemia apresentaram uma retração, como alimentos, descartáveis e bebidas, por conta da sazonalidade e do menor poder de compra do consumidor final. Higiene pessoal e limpeza doméstica, que foram altamente demandados em 2020, também perderam força nos últimos meses. Agricultura, por outro lado, depois de um início de ano ruim, vem apresentando recuperação nos últimos meses”, completa o Presidente da ABIEF.
O estudo da Maxiquim também estima que as vendas internas de poliolefinas registrem queda próxima a 10% em comparação ao trimestre anterior e aumento de 19% na comparação com o segundo trimestre de 2020. “A boa notícia é que a disponibilidade de resina está normalizada após as paradas para manutenção. No mercado internacional, a disponibilidade está maior, porém o excedente para exportação ainda não está nos níveis históricos”, finaliza Rogério Mani.
Na última sexta-feira, 12 de março, a ABIEF (Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis) realizou coletiva de imprensa online para divulgar os números do setor no ano de 2020.Estudo realizado pela Maxiquim, com exclusividade para a ABIEF, aponta quea produção atingiu 2,088 milhões de toneladas. O faturamento mostrou um desempenho ainda mais positivo, com alta de 30%, chegando a R$ 27,7 bilhões. A indústria brasileira de embalagens plásticas flexíveis registrou alta de 5,4% no volume produzido em comparação ao ano anterior.
Também foram registradas altas no consumo aparente – 7,2% - e no consumo per capita – 6,3% - de embalagens plásticas flexíveis. O consumo aparente saltou de 1,910 milhão de toneladas, em 2019, para 2,046 milhões de t em 2020. Já o consumo per capita em 2020 chegou a 9,7 Kg/habitante contra 9,1 Kg/hab em 2019.
“Sem dúvida nossa indústria teve um desempenho acima da média de outros setores produtivos. Mas isto só aconteceu porque desde o início da pandemia, as empresas do setor agiram rápido e se adequaram ao novo cenário para evitar que setores estratégicos como alimentos, medicamentos e bebidas, não ficassem desabastecidos de embalagens e que o consumidor final não sofresse com a falta de produtos”, pondera o empresário Rogério Mani, Presidente da ABIEF.
Rogério lembra ainda que a evolução da produção de embalagens flexíveis foi sentida em praticamente todos os trimestres de 2020, exceto nos últimos três meses do ano. Já o consumo aparente oscilou, mas manteve-se em alta em todos os trimestres. “Vimos que tanto a produção como o consumo se comportaram melhor no segundo semestre de 2020”, completa o Presidente da ABIEF.
Um recorte no estudo da Maxiquim mostra que o principal mercado para as embalagens plásticas flexíveis em 2020 continuou sendo a indústria de alimentos que consumiu 826 mil ton das 2,088 milhões de ton de embalagens flexíveis produzidas. Na sequência vêm as aplicações industriais, com 371 mil toneladas, seguidas por descartáveis (239 mil ton); bebidas (200 mil ton); agropecuária (172 mil ton); higiene pessoal (101 mil ton); limpeza doméstica (101 mil ton); pet food (45 mil ton); e outros (32 mil ton).
O market share, por aplicação, estabeleceu a liderança para as embalagens multicamadas, com 693 mil ton. Na sequência: monocamada, 602 mil ton; shrink, 279 mil ton; sacolas e sacos, 238 mil ton; stretch, 216 mil ton; e outros, 60 mil ton.
As resinas PEBD (polietileno de baixa densidade) e PEBDL (polietileno linear de baixa densidade) foram as mais usadas em 2020 pela indústria de flexíveis, totalizando 1,535 mil ton. O PP (polipropileno) aparece em segundo lugar com 324 mil ton e o PEAD (polietileno de alta densidade) na sequência com 229 mil ton. “Aqui vemos uma certa ‘dança’ dos números, principalmente pela falta e pelo aumento do preço da matéria-prima especialmente a partir do segundo semestre de 2020”, avalia Rogério.
Diferentemente do que vinha acontecendo em outros anos, em 2020 a balança comercial do setor não foi positiva: -42%. Isto porque as importações, em toneladas, cresceram 8% e as exportações caíram 18%; em faturamento as importações caíram 3% e as exportações caíram 5%, registrando, respectivamente, receitas de US $ 217 milhões e de US$ 226 milhões.
2020 também foi marcado como o ano em que as embalagens flexíveis aumentaram sua participação no universo dos transformados plásticos, passando de 28% (2019) para 31% num volume total transformado de 6,781 milhões de toneladas. Das 572 mil ton de produtos plásticos transformados importados no ano passado, embalagens flexíveis respondeu por 65 mil ton.
“Estes números revelam que a indústria de embalagens plásticas flexíveis consegue um bom desempenho inclusive em momento críticos, como foi 2020. Mas há sérias preocupações em relação a 2021. O setor teme não conseguir driblar uma possível falta de matéria-prima e, principalmente, nossa indústria não tem mais como absorver aumentos no preço das resinas termoplásticas. Por isso o principal conselho que damos para os associados da ABIEF é: cautela. Avaliem cuidadosamente o cenário, quase que diariamente e, mais do que nunca, pensem como uma cadeia, onde a ação de um dos elos poderá ter uma influência significativa no desempenho dos demais. Precisamos agir juntos e encontrar soluções para mantermos nossa indústria ativa e atendendo às demandas da sociedade e dos vários mercados.”, finaliza Rogério.