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A crescente instabilidade geopolítica no cenário internacional, especialmente envolvendo o Oriente Médio, tem gerado reflexos diretos sobre cadeias produtivas estratégicas em todo o mundo. No Brasil, a indústria química, altamente dependente de insumos derivados de petróleo e gás natural, acompanha com atenção redobrada os impactos dessa volatilidade, principalmente no que diz respeito a preços, competitividade e abastecimento.

Embora ainda não existam efeitos plenamente consolidados no mercado brasileiro, o setor continua acompanhando com cautela tanto a oscilação dos preços internacionais do petróleo quanto os impactos regulatórios sobre os custos de frete e logística, elementos que influenciam diretamente a competitividade e o funcionamento das cadeias produtivas.

Para entender melhor esse contexto e seus desdobramentos, a Revista Plástico Sul América conversou com Eder da Silva, gerente de Economia e Comércio Exterior da Abiquim, que concedeu uma entrevista exclusiva detalhando os efeitos de curto, médio e longo prazo para o setor, além das estratégias adotadas para garantir estabilidade e resiliência. A seguir, confira os principais trechos.

(Revista Plástico Sul América) Qual é a visão da entidade sobre os impactos da geopolítica atual na indústria química brasileira?

Eder da Silva: Trabalhamos com diferentes cenários — seja uma resolução de curto, médio ou, infelizmente, de longo prazo para a situação no Oriente Médio — e avaliamos seus impactos sobre a indústria química e petroquímica, bem como sobre a estrutura produtiva brasileira e global de forma mais ampla.

No curtíssimo prazo, nossa atenção está especialmente voltada ao comportamento dos preços internacionais das commodities que funcionam como building blocks — as “peças de Lego”, por assim dizer — essenciais para diversos setores produtivos, em especial a química. Trata-se de uma indústria particularmente exposta às cadeias derivadas do petróleo e do gás natural, como é o caso da nafta petroquímica e de todos os seus desdobramentos ao longo da cadeia química e petroquímica.

(PSA) E, no curto prazo, quais são os principais pontos de atenção para o setor?

Silva: No campo do gás natural, frações como etano, butano e outros componentes utilizados como matérias-primas pela indústria química demonstram que seu potencial vai muito além do uso energético, que é o destino predominante em diversos setores industriais. A química, ao contrário, agrega valor a essas moléculas, transformando tanto as frações líquidas quanto o próprio metano em uma ampla gama de produtos.

A partir do metano, por exemplo, desenvolvem-se cadeias relevantes como a do metanol e inúmeros outros derivados do gás natural. O mesmo ocorre com subprodutos como o enxofre, que dá origem a toda uma cadeia ligada ao ácido sulfúrico e a diversos compostos orgânicos e inorgânicos.

Diante desse cenário, no curtíssimo prazo, estamos especialmente atentos às discussões relacionadas a preços, à volatilidade do mercado internacional e aos desdobramentos imediatos que esses movimentos podem gerar para a cadeia produtiva brasileira.

(PSA) Como essa volatilidade de preços impacta a competitividade da indústria nacional?

Silva: Todas essas matérias-primas citadas são usadas pelo setor químico como insumos e possuem correlação direta com os preços do gás natural e do petróleo.

Veja que, no final do mês passado, tínhamos um preço médio do Brent na faixa de 70 dólares o barril, enquanto, neste momento, está em 105 dólares. Veja o tamanho do desafio global em termos de custo de curto prazo e de adequação dos fatores de produção, em um momento de escalada de quase 30 a 35 dólares por barril, no caso do petróleo.

(PSA) E, olhando para o médio prazo, quais são os riscos adicionais?

Silva: Vamos supor que esse cenário possa transbordar um pouco do curto para o médio prazo. Começamos também a olhar para a questão da disponibilidade global desses insumos em termos físicos. Lembrando que o Estreito de Hormuz representa entre 20% e 25% de todo o trânsito internacional de petróleo e seus derivados.

Isso significa que, no curto prazo, entre 70% e 75% não estão sujeitos aos fluxos logísticos da região. Várias dessas outras praças produtoras de petróleo e gás têm utilizado reservas estratégicas e ampliado suas produções para garantir o abastecimento, sobretudo neste primeiro momento, no mercado de combustíveis.

(PSA) E, no longo prazo, quais mudanças estruturais podem ocorrer?

Silva: A posição da Abiquim é de que continuamos desejosos e esperançosos de que a situação tenha uma resolução entre o curto e o médio prazo. Mas, mesmo considerando cenários de longo prazo, o mais lógico é que as principais economias busquem reduzir cada vez mais sua dependência de insumos estratégicos do Oriente Médio.

(PSA) E quanto à relação entre petroquímica, fornecedores e clientes finais?

Silva: Temos uma ociosidade que significa disponibilidade. Trata-se de uma capacidade imediata de produção de cerca de 40% de toda a capacidade produtiva do setor.

Utilizamos cerca de 60% da capacidade instalada e temos 40% de ociosidade que pode ser imediatamente convertida em produção. Portanto, não há, em produtos químicos, risco de desabastecimento nem no curto nem no médio prazo.

(PSA) Há necessidade de ajustes estratégicos entre os elos da cadeia neste momento?

Silva: Quando olhamos de trás para frente, do consumidor para os demais elos da cadeia, vemos que as cadeias de transformação que utilizam produtos químicos estarão, no curto e no pré-médio prazo, abastecidas por produtos fabricados no Brasil.

Temos 40% de ociosidade que pode ser revertida em produção imediata e contamos também com os principais fornecedores, atualmente Estados Unidos e Ásia, que não estão pressionados quanto ao acesso ao mercado brasileiro e regional. Assim, as cadeias de transformação continuam abastecidas pelo setor químico.

(PSA) Como a indústria pode manter a sustentabilidade econômica diante da volatilidade?

Silva: Combater as operações predatórias e oferecer um ambiente de mercado saudável, para que a produção brasileira participe do mercado doméstico ou das exportações em condições equânimes, com competitividade leal frente ao produto importado, garantindo a sustentabilidade no médio prazo. É fundamental evitar uma avalanche de importações substituindo a produção nacional.

(PSA) Esse tripé de atuação é suficiente para sustentar o setor neste cenário?

Silva: Esse é, inclusive, o foco de atuação da Abiquim, estruturado em três eixos principais: o combate às operações predatórias, o reconhecimento do gás natural como molécula de transição e vetor de competitividade frente às principais geografias globais, e o REIQ/PRESIQ como grande alavanca para o futuro do setor.

A proposta é trazer essa agenda para o presente, retomando um ciclo positivo de investimentos, reconstruindo a atratividade do país e fortalecendo, de forma consistente, a competitividade da indústria química brasileira.

(PSA) Para finalizar, qual é a principal orientação da Abiquim às empresas diante desse cenário instável?

Silva: A principal mensagem da Abiquim é que a indústria química brasileira é um pilar estratégico de resiliência produtiva. Existe capacidade instalada, tecnologia, diversidade produtiva e suporte regulatório que permitem ao Brasil mitigar esses choques globais e preservar a segurança de suprimentos nas diversas cadeias de transformação que utilizam produtos nacionais e que se complementam com importados. Em síntese, não há, neste momento, qualquer discussão sobre desabastecimento no país.

A Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) promoverá no próximo dia 17 de janeiro de 2025, uma importante cerimônia no Polo Petroquímico de Triunfo, no Rio Grande do Sul, para o anúncio de novos investimentos no setor químico nacional. O evento acontecerá das 10h às 12h e contará com a presença de autoridades de destaque, incluindo o Vice-Presidente da República, Geraldo Alckmin, e o Governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, além de outros representantes do governo e da indústria.

Durante a cerimônia, as empresas Braskem, Innova, Grupo OCQ e Unipar farão seus respectivos anúncios de investimentos, que são frutos do Regime Especial da Indústria Química (Reiq Investimento). Este regime oferece benefícios fiscais às empresas que ampliam sua capacidade instalada ou implementam novas plantas. Mais da metade do montante total de investimentos está direcionada ao Rio Grande do Sul, com os outros investimentos distribuídos entre os Estados de São Paulo, Bahia e Alagoas.

Os CEOs das empresas envolvidas estarão presentes e falarão sobre os projetos, revelando os valores dos investimentos previstos. A Abiquim também terá presença destacada no evento, com sua presidente do Conselho Diretor, Daniela Manique, e o presidente-executivo, André Passos Cordeiro, entre outros membros da entidade.

Além de Geraldo Alckmin e Eduardo Leite, estarão presentes no evento o Prefeito de Triunfo, Marcelinho, e o Deputado Federal Afonso Motta, Presidente da Frente Parlamentar da Química, juntamente com outras autoridades e representantes dos sindicatos do setor. Este evento destaca o crescente investimento no setor químico brasileiro, um pilar fundamental para a economia do país.

Com 61 anos de existência, a Abiquim tem sido uma forte voz para a indústria química no Brasil, contribuindo para o desenvolvimento do setor por meio de ações que buscam a competitividade e a sustentabilidade. A cerimônia de investimento em Triunfo será mais uma etapa importante na promoção da inovação e crescimento da indústria química, que continua a ser um dos motores mais importantes da economia brasileira.

A indústria química nacional tem se destacado mundialmente por sua sustentabilidade, sendo responsável por uma matriz energética composta em 82,9% por fontes renováveis. Além disso, a cada tonelada de produto químico produzido, emite até 51% menos CO2 em comparação com seus concorrentes internacionais, o que a coloca na vanguarda das práticas sustentáveis. O evento de 17 de janeiro promete reforçar o compromisso do Brasil com a inovação no setor e com o desenvolvimento sustentável, promovendo um ambiente mais competitivo e alinhado com as tendências globais.

Por Abiquim

A decisão do Comitê de Negociação Intergovernamental da ONU de promover uma nova rodada internacional em 2025, com o objetivo de se chegar a um Acordo Global do Plástico não deve ser vista como um fracasso deste Comitê. Embora as expectativas sejam altas em todo o mundo para que se chegue a um consenso, o tema agrupa países em diferentes estágios de desenvolvimento social, econômico e ambiental, sendo natural um prolongamento do debate.

A Abiquim segue defendendo a necessidade de os países assinarem um Acordo legalmente vinculante para eliminar a poluição plástica, principalmente em ambientes marinhos, focando no gerenciamento adequado dos resíduos e em uma economia circular.

A Abiquim acredita que o acordo deve regular e harmonizar regras globais, com base científica, sem impor proibições ou limitações à produção de plásticos, o que poderia prejudicar o desenvolvimento econômico, especialmente em países em desenvolvimento. O acordo é uma oportunidade para que se construam mecanismos que podem contribuir para criar, pela primeira vez para qualquer produto existente, uma economia verdadeiramente circular a partir de diretrizes globais respeitando realidades nacionais.

Defendemos uma abordagem que considere os aspectos ambientais, sociais e econômicos, com instrumentos como o redesenho de produto, a transferência de tecnologia, o incentivo à reciclagem, à gestão adequada de resíduos e, muito importante, mecanismos de financiamento para que isso ocorra em um ambiente de transição justa para os países em desenvolvimento e para populações mais vulneráveis a impactos econômicos.

A indústria química entende que é importantíssima a manutenção da posição equilibrada demonstrada pelo Brasil nas negociações - baseada no conceito firme de desenvolvimento sustentável, procurando combinar sempre as dimensões social, econômica e ambiental para a criação de mecanismos efetivos de eliminação da poluição e que, ao mesmo tempo, proporcionem um novo modelo de produção que permita ao país não recuar em seu desenvolvimento e trajetória de superação da pobreza. Pressões nem sempre justas, e na maioria das vezes também nem sempre preocupadas com o avanço efetivo do acordo, tentam retirar o Brasil dessa trajetória.

Compreendemos as diversas posições em diálogo na sociedade e no governo e temos trabalhado para construir um caminho sem radicalismos, por entender que é plenamente possível uma solução que combine benefício social, desenvolvimento econômico e preservação do meio ambiente. Essas não são dimensões que se opõem, mas que se combinam. A Abiquim manifesta total apoio à delegação brasileira na defesa dos interesses da sociedade brasileira durante as negociações do Acordo, e seguiremos nos colocando à disposição para o que for necessário dentro do objetivo de que o texto do Acordo possa ser negociado com sucesso, na maior brevidade possível, atendendo às expectativas internacionais e atingindo seus objetivos de proteção ambiental.

Por Abiquim

A cerimônia de lançamento do Comitê Brasileiro de Embalagem, Acondicionamento e Reciclagem de Plásticos, bem como a apresentação da sua nova estrutura, acontecerá durante o webinar que será promovido pela ABNT no dia 24 de outubro, às 10h30. A parceria entre duas associações fortes e fundamentais na cadeia da produção de matérias-primas, transformação e reciclagem de plásticos, visa promover o desenvolvimento sustentável e a inovação no setor plástico, agregando conhecimento técnico, recursos e experiência, de forma a melhorar a eficiência e a sustentabilidade do setor.Vale destacar que desde janeiro de 2024, as duas entidades assumiram o comitê, até então classificado como Organismo de Normalização Setorial (ABNT/ONS). Já em agosto deste ano, o Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) oficializou a parceria no seguinte formato - Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM), como gestora, e a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST) como secretaria do Comitê Técnico de Embalagem e Acondicionamento Plásticos - agora denominado ABNT/ CB-051. O evento terá como mediador, Fabrício Soler, professor e advogado especialista em Direito dos Resíduos, Direito Ambiental e consultor da ONU, e como público-alvo, representantes da indústria, governo, academia, ABNT (Comitês de Interface).Acompanhe a programação:10h30 - Abertura . Mario William Esper - Presidente do Conselho Deliberativo da ABNT . André Passos Cordeiro – Presidente-executivo da Abiquim. Paulo Teixeira – Presidente-executivo da Abiplast 11h - Políticas públicas no contexto da normalização da reciclabilidade dos resíduos plásticos. Sabrina Andrade dos Santos Lima - Coordenadora geral de logística reversa - Departamento de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA)11h30 - Lançamento do ABNT/CB-051. Renata Souza – Gestora do ABNT/B-051. Carla Castilho – Chefe de Secretaria ABNT/CB-05111h50 – Perguntas e Respostas12h00 - EncerramentoClique aqui e faça gratuitamente sua inscrição

No acumulado do ano, até outubro, as importações de produtos químicos somaram US$ 52 bilhões e as exportações chegaram a praticamente US$ 12,1 bilhões, resultando em um saldo comercial negativo de US$ 39,9 bilhões. Para o consolidado de 2023, as projeções indicam que o déficit em produtos químicos deverá atingir os US$ 47 bilhões, no contexto de importações impulsionadas por preços predatórios de origens asiáticas e que resultaram no menor patamar em termos de volume de produção nacional dos últimos 30 anos, com uma ociosidade média de 35% da capacidade instalada da indústria química no Brasil.

Em termos de quantidades físicas, foram registrados, até outubro, expressivos aumentos nos volumes de importações de plastificantes (79,1%), de resinas termoplásticas (16,7%), de produtos petroquímicos básicos (12,6%), de intermediários químicos para detergentes (6,5%), entre outros produtos químicos diversos para uso industrial (12,8%), realizadas a preços predatórios, em média 22,9% inferiores àqueles do mesmo período do ano passado, e que estão desequilibrando o mercado interno e ameaçando fabricações nacionais de produtos estratégicos para várias cadeias de agregação de valor no País.

As exportações, por sua vez, em números absolutos muito menores, tiveram, até outubro, uma queda de 11,3% em quantidades físicas, computando 11,7 milhões de toneladas, no contexto do crescente deslocamento de produtos brasileiros nos principais parceiros comerciais, em razão da ocupação desses mercados por produtos asiáticos com competitividade artificialmente sustentada em insumos (gás natural e energia) e matérias-primas russas adquiridos por tais países com preços favorecidos em razão da guerra no leste europeu, e pela intensificação das dificuldades conjunturais econômicas e cambiais da Argentina, individualmente principal mercado de destino dos produtos químicos brasileiros.

Para a Diretora de Economia e Estatística da Abiquim, Fátima Giovanna Coviello Ferreira, os resultados da balança comercial em produtos químicos são alarmantes, além de serem indiscutíveis as evidências de que o Brasil precisa urgentemente de políticas de alto impacto e que permitam, no curto prazo, reduzir a vulnerabilidade em cadeias estratégicas sensíveis às oscilações da conjuntura internacional e, de uma maneira sustentada, criar valor agregado às riquezas naturais e às vantagens comparativas de que o Brasil dispõe.

“A recente decisão do Governo sobre o retorno das alíquotas de importação de químicos ao patamar padrão da Tarifa Externa Comum foi um primeiro e indispensável passo para o reestabelecimento das reais condições de competitividade da indústria nacional, e consequentemente, aumentar a participação da indústria no PIB. Complementarmente, a Abiquim segue firmemente advogando por outras medidas fundamentais e urgentes como a efetivação de uma Lista de Elevações Transitórias à Tarifa Externa Comum do Mercosul, que contemple os produtos químicos que mais sofreram com surtos de importações predatórias, e a construção de uma política para o uso do gás natural como matéria-prima”, destaca a diretora da Abiquim.

Abiquim – Associação Brasileira da Indústria Química (www.abiquim.org.br) é uma entidade sem fins lucrativos fundada em 16 de junho de 1964, que congrega indústrias químicas de grande, médio e pequeno portes, bem como prestadores de serviços ao setor químico nas áreas de logística, transporte, gerenciamento de resíduos e atendimento a emergências. A Associação realiza o acompanhamento estatístico do setor, promove estudos específicos sobre as atividades e produtos da indústria química, acompanha as mudanças na legislação e assessora as empresas associadas em assuntos econômicos, técnicos e de comércio exterior. 

O setor químico fornece insumos essenciais para diversas atividades econômicas, como agropecuária, transporte, construção civil, saúde e higiene, atuando como potencializador de cada um deles por meio de suas cadeias de valor. A pandemia explicitou ainda mais a importância do setor, responsável pela base da produção de itens essenciais como luvas, seringas, máscaras e oxigênio.

Fonte: Assessoria Abiquim

Em 14 de novembro de 2023, na cidade de São Paulo, tiveram início as discussões sobre o Acordo Global dos Polímeros na sede do United Nations Environment Program (UNEP), em Nairóbi, Quênia. Esta marca a terceira rodada de negociações, conhecida como Intergovernmental Negotiating Committee on Plastic Pollution 3 (INC3), na qual a Abiquim está participando presencialmente.

O Acordo foi instigado pela resolução 5/14 da Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEA), que endossou a convocação do Comitê de Negociação Intergovernamental. O objetivo é criar um instrumento internacional legalmente vinculativo para abordar a poluição plástica, inclusive no ambiente marinho. O acordo pode abranger abordagens tanto vinculativas quanto voluntárias, considerando o ciclo de vida dos plásticos e os princípios da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. A ambição é concluir o trabalho até o final de 2024.

No dia 12 de novembro, durante a reunião preparatória, a Abiquim, em nome da Coalizão Latino-Americana das Indústrias do Plástico, apresentou aos governos do Grupo da América Latina e Caribe (GRULAC) um documento que expressa as preocupações do setor em relação ao Acordo Global de Plásticos. Destacou a necessidade de reconhecer as diferentes características regionais e nacionais ligadas ao financiamento da transição para a economia circular.

André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim, enfatizou a intenção de dialogar e contribuir ativamente para o tema, destacando que a Associação tem colaborado com representantes do governo brasileiro para adotar um instrumento adequado à realidade de cada país. Durante a reunião do GRULAC, ele ressaltou a relevância das indústrias química, petroquímica e de plásticos na oferta de produtos estratégicos para diversos setores.

Passos Cordeiro reconheceu as externalidades negativas associadas à gestão inadequada dos resíduos plásticos e salientou que a indústria está comprometida em colaborar com diversos stakeholders para encontrar soluções. No discurso, destacou a promoção do consumo sustentável como elemento-chave para o Acordo, incentivando uma abordagem diferenciada para aplicações problemáticas e essenciais.

O presidente da Abiquim também abordou questões relacionadas a aditivos, polímeros, produtos químicos e o processo de transição. As negociações do INC3 ocorrerão até 19 de novembro, baseando-se no "draft zero" fornecido pela UNEP, que reflete as visões das sessões anteriores do comitê.

As discussões iniciais para o acordo aconteceram na primeira sessão do Intergovernmental Negotiating Committee on Plastic Pollution (INC1) em novembro e dezembro de 2022, no Uruguai. A Abiquim e a International Council of Chemical Associations (ICCA) apoiaram a construção do acordo. A segunda rodada, Second Session of the Intergovernmental Negotiating Committee on Plastic Pollution (INC-2), realizada em Paris entre maio e junho de 2023, contou com a presença da Abiquim, contribuindo com a posição do setor e do governo brasileiro sobre o acordo. Essa ação é crucial não apenas para a cadeia de economia circular proposta pela indústria química brasileira, mas também como uma contribuição significativa para a sociedade como um todo.

André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim

De acordo com o levantamento da Diretoria de Economia, Estatística e Competitividade da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), a demanda interna do conjunto de resinas termoplásticas (exceto PVC), medida pelo Consumo Aparente Nacional (CAN) – produção mais importação, excluindo as exportações – aumentou 1,8% no 1º trimestre de 2023, comparado ao mesmo período do ano anterior, alcançando um volume de 1,44 milhão de toneladas.

Dentre os componentes do CAN, a produção e as exportações não acompanharam o crescimento da demanda e apresentaram quedas expressivas de 17,4% e de 31,1%, respectivamente, na mesma comparação. Já o volume de importações dos mesmos produtos teve uma alta de 42,7%, passando a ocupar uma fatia de 10 pontos percentuais maior do mercado doméstico, de 37%, contra 27% do 1º trimestre de 2022, com elevações em todas as resinas, sobretudo pela inserção desses produtos na Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum do Mercosul (LETEC), em agosto do ano passado.

Como resultado, o déficit absoluto em toneladas cresceu 538,1% no 1º trimestre de 2023, passando de 48,76 mil toneladas no 1º trimestre de 2022 para 311,16 mil toneladas no 1º trimestre de 2023

Acompanhe, os principais índices do segmento de resinas referente ao primeiro trimestre de 2023:

Importante ressaltar que o efeito da retirada do Regime Especial da Indústria Química (REIQ) sobre o setor químico, em meados do ano passado, bem como da redução das alíquotas do imposto de importação de algumas resinas termoplásticas, a partir de agosto de 2022, em um momento adverso e de agravamento da competitividade local, justificam a piora no desempenho do mercado interno. Vale pontuar a decisão recente do governo federal de retirada das resinas termoplásticas da LETEC, a partir de 1º de abril de 2023, corrigindo essa distorção, mas ainda sem reflexos nos resultados apresentados.

A menor produção também impactou expressivamente o nível de utilização da capacidade instalada das resinas termoplásticas, que recuou treze pontos percentuais na média dos primeiros três meses de 2023, ante igual período do ano passado, ficando em apenas 68%, o que representa uma ociosidade preocupante de mais de 30%.

Segundo Fátima Giovanna Coviello Ferreira, diretora de Economia e Estatística da Abiquim, a indústria tem sofrido em razão do ambiente internacional, de instabilidade, com alta da inflação em diversos mercados, além do conflito entre Rússia e Ucrânia, que modificaram a dinâmica de preços dos energéticos no mercado mundial. “Dentro desse contexto, muitas novas capacidades entraram no mercado americano e chinês nos últimos meses, contribuindo para um desbalanceamento momentâneo entre a oferta e a procura por produtos químicos justamente em um cenário desfavorável da economia nacional e internacional”, finaliza Coviello.

A executiva Daniela Manique, presidente do Grupo Solvay na América Latina, foi eleita presidente do Conselho Diretor da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) para o período de 2023 a 2025.

A eleição ocorreu durante a Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária da entidade realizada em 26 de abril, que também elegeu os integrantes que comporão o Conselho Diretor, o Conselho Fiscal e parte do Comitê de Ética e Integridade e do Comitê Executivo.

Daniela Manique é a primeira mulher a assumir esse posto na história da Abiquim, que foi instalada há 59 anos.

Formada em Engenharia Química pela FEI (Faculdade de Engenharia Industrial), Daniela Manique possui pós-graduação em Administração de Empresas pela FGV, tem MBA em Negócios na Faculdade de Economia e Administração da USP (SP) e fez o curso de Estratégia do Insead, da França. Também é diplomada na área de Indústria do Petróleo pela Faculdade de Estudos em Petróleo e Energia de Oxford, na Inglaterra. 

Daniela Manique está no Grupo Solvay há 19 anos, tendo iniciado sua trajetória profissional na Rhodia, posteriormente (em 2011) adquirida pela Solvay. Ao longo desse período, ocupou no Brasil e no Exterior posições de liderança em diversas áreas da empresa. 

Além de sua posição na Abiquim, Daniela Manique ocupa postos em conselhos de empresas do setor industrial e recentemente foi condecorada com a comenda de Comandante da Ordem da Coroa da Bélgica.

Com um papel pioneiro no âmbito da promoção da presença da mulher na liderança da indústria química na região, Daniela Manique tem comandado os esforços da empresa para avançar em competitividade, inovação, em ESG e em programas de responsabilidade social corporativa.

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