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PESCADORES RECUPERAM 600 TONELADAS DE RESÍDUOS DA BAÍA DE GUANABARA

Cerca de 600 toneladas de resíduos foram retiradas da Baía de Guanabara e de seus manguezais em pouco mais de quatro anos pelo programa Pescando Resíduos, iniciativa que envolve a atuação de pescadores artesanais locais e a articulação da BVRio com parceiros. O marco foi alcançado enquanto representantes das organizações acompanhavam atividades de coleta, carregamento e triagem dos materiais recuperados.

Na semana passada, o cofundador e CEO da Ogyre, Antonio Augeri, esteve na Baía de Guanabara para acompanhar o trabalho realizado pelos pescadores. A visita permitiu observar as diferentes etapas da operação e também aproximar os apoiadores do programa das comunidades que atuam diretamente na recuperação dos resíduos.

Para Pedro Succar, especialista em Economia Circular da BVRio, a presença dos parceiros no local contribui para aproximar as organizações dos pescadores e incorporar à operação o conhecimento de quem vivencia diariamente as condições da Baía. “Esse diálogo direto permite que o conhecimento dos pescadores oriente nossas decisões, fortaleça a operação e contribua para gerar impactos ambientais e sociais duradouros“, afirmou.

O volume recuperado ganhou dimensão adicional pelo ritmo das coletas mais recentes. Das 600 toneladas retiradas desde o início do programa, aproximadamente 100 toneladas foram recuperadas em menos de nove meses, indicando uma aceleração no volume recolhido pelas equipes que atuam na região.

O trabalho também envolve acompanhamento contínuo das comunidades. Juliana Miranda, analista de Economia Circular da BVRio, visita e apoia os pescadores semanalmente e destaca que a presença dos parceiros em campo permite observar diretamente as condições enfrentadas por esses trabalhadores. “Ver de perto a realidade dos pescadores dá visibilidade aos desafios que eles enfrentam e o devido reconhecimento ao trabalho que realizam“, disse.

A atuação conjunta também aproxima diferentes perspectivas sobre a recuperação dos resíduos. Segundo Juliana, as trocas estabelecidas durante o trabalho contribuem para reunir as experiências das comunidades e dos demais envolvidos em torno da conservação da Baía. “Essas trocas aproximam realidades diferentes em torno de um compromisso comum com a proteção da Baía“, acrescentou.

O programa Pescando Resíduos é desenvolvido desde 2021 com apoio da Ogyre, que trabalha com a BVRio para viabilizar coletas regulares realizadas por pescadores locais. A estrutura combina o conhecimento das comunidades com a geração de renda complementar e ferramentas de rastreabilidade dos resíduos recuperados.

A participação dos pescadores é parte central da operação porque as atividades são realizadas por trabalhadores que conhecem as características da Baía e de seus manguezais a partir da experiência cotidiana. O trabalho envolve não apenas a retirada dos materiais, mas também etapas posteriores de carregamento e triagem.

O marco de 600 toneladas, no entanto, não elimina a dimensão do problema enfrentado na região. O acúmulo de resíduos continua sendo registrado em áreas da Baía de Guanabara, inclusive em zonas de manguezal. A situação reforça a necessidade de ações permanentes de recuperação e da participação das comunidades que vivem e trabalham no entorno do ecossistema.