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Como a petroquímica formou uma geração - e por que o novo ciclo da Braskem pode fazer o mesmo

24 de abril de 2026
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Por João Luiz Zuñeda

Sócio fundador da MaxiQuim

Eu, João Luiz Zuñeda, sócio fundador da MaxiQuim, iniciei minha trajetória na petroquímica brasileira como engenheiro químico da Petrobras, atuando na antiga Copesul, no polo petroquímico de Triunfo, no Rio Grande do Sul. Naquele momento, o modelo era claramente estruturado entre empresas de primeira geração, responsáveis pelos insumos básicos, e empresas de segunda geração, produtoras de resinas que abasteciam a indústria de transformação de plásticos. A Copesul foi meu primeiro emprego e uma escola fundamental dentro dessa lógica industrial integrada.

Com o avanço das privatizações e os processos de reengenharia dos quais participei diretamente, iniciou-se uma transformação profunda na estrutura societária do setor. Empresas que atuavam na segunda geração passaram a buscar integração vertical, adquirindo participação nas centrais de primeira geração, como a própria Copesul no Sul e a Copene no Nordeste. Esse movimento abriu espaço para a consolidação de grandes grupos industriais, com destaque para a atuação da Odebrecht, que avançou na aquisição de ativos estratégicos até culminar na formação e consolidação da Braskem como um player relevante no cenário petroquímico global.

Após esse ciclo de reengenharia, retornei à Copesul para apoiar a implantação dos novos processos e consolidar, na prática, as transformações estruturais que estavam redesenhando a petroquímica brasileira. Na sequência, iniciei um novo capítulo ao fundar a MaxiQuim ao lado da minha sócia Solange Stumpf, com o propósito de transformar experiência prática em inteligência de mercado, apoiando decisões estratégicas em toda a cadeia química, petroquímica e de plásticos.

Por que conto isso? Porque tanto na formação de um grande grupo privado como a Braskem quanto na consolidação de uma empresa estatal como a Petrobras, existe um elemento comum e decisivo: gente altamente qualificada. São essas pessoas que integram ativos, capturam sinergias e transformam escala em competitividade. Eu tive a oportunidade de participar dessas duas realidades e fui profundamente formado por elas - técnica, estratégica e culturalmente.

Hoje, como empresário à frente do Grupo MaxiQuim, que integra MaxiQuim, W4Chem e MXQ Insight, trabalho ao lado de uma nova geração de profissionais altamente motivados, profundamente conectados com as indústrias química, de plásticos, papel e seus desdobramentos na economia circular. É essa combinação de experiência acumulada com energia e visão de futuro que nos move. Tenho experiência, continuo jovem e sigo em busca de desafios.

​Recentemente, compartilhei no meu LinkedIn uma reportagem em que participei no jornal O Globo, “Petrobras terá mais influência na gestão da Braskem, após venda de fatia de ex-Odebrecht”, por Vinicius Neder, que trata justamente desse momento de transição no setor. E uma das observações recebidas no LinkedIn sintetiza com precisão o que estamos vivendo. Como destacou Rodolfo Schaffer Neto: “Interessante como certos ciclos se encerram exatamente quando precisam, nem antes, nem depois. No fim, estratégia também é saber a hora de dizer ‘alô’ para o novo e permitir que o tempo faça o que sempre fez: reorganizar o caminho.”

Essa leitura dialoga diretamente com o novo ciclo que se abre na Braskem, com a maior influência da Petrobras após a saída da Novonor (Odebrecht) e a entrada da IG4 Capital. Mais uma vez, o setor se reorganiza e, como sempre, serão as pessoas, a estratégia e a capacidade de execução que definirão quem capturará as oportunidades desse novo momento.

Obrigado à petroquímica brasileira e aos seus clientes, que me formaram e me motivaram como profissional. É isso que a economia do Brasil precisa e a indústria, em especial a indústria química, proporciona: empregos qualificados, capazes de transformar a trajetória de um engenheiro químico júnior dentro de grandes empresas em uma jornada que pode levar ao empreendedorismo e à construção de um grupo que compete com players globais. Que venha o novo ciclo da Braskem e que muitos outros jovens possam navegar por ele, se desenvolver, construir suas carreiras e, acima de tudo, encontrar realização naquilo que fazem.

Por João Luiz Zuñeda

Sócio fundador da MaxiQuim

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