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Distribuição De Resinas Cresce Em 2025, Mas Cenário Global Impõe Cautela Para 2026

O mercado brasileiro de distribuição de resinas plásticas encerrou 2025 com desempenho positivo, embora marcado por diferenças relevantes entre os segmentos. De acordo com o balanço anual da Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas (ADIRPLAST), o volume total de vendas dos associados atingiu 431 mil toneladas, crescimento de 5,7% em relação a 2024. O principal motor desse avanço foi o segmento de especialidades, com destaque para os plásticos de engenharia, que apresentaram expansão expressiva de 17,3%. O resultado reflete a maior demanda por materiais de maior valor agregado, impulsionada por aplicações mais técnicas e exigentes da indústria.

Já as resinas commodities, como polietilenos, polipropilenos e poliestirenos, somaram 347 mil toneladas comercializadas, registrando alta de 5,8% na comparação anual. Apesar do crescimento em volume, o segmento enfrentou um ambiente mais pressionado ao longo do ano, caracterizado por excesso de oferta global, concorrência intensa de importações e compressão de preços e margens. A normalização da logística internacional, períodos de recomposição de estoques e a valorização pontual do real também influenciaram o comportamento do mercado em 2025.

Para o vice-presidente da ADIRPLAST, Laercio Gonçalves, os números indicam um processo de transformação estrutural no setor. Segundo ele, os maiores avanços de demanda vieram de áreas como embalagens, alimentos e bebidas, higiene pessoal, agronegócio e aplicações voltadas à sustentabilidade. Em contrapartida, mercados mais dependentes de crédito e investimentos apresentaram maior instabilidade ao longo do ano. “O crescimento de 2025 foi sustentado principalmente pelas especialidades, enquanto as commodities permaneceram mais expostas à volatilidade externa e à pressão competitiva das importações”, avalia o executivo.

Essa mudança de perfil também é percebida pelos fornecedores e distribuidores de materiais de maior valor agregado. Para Gustavo Nascimento, CMO da Krisoll, os plásticos de engenharia e outros materiais especiais vêm se consolidando como insumos estratégicos, menos vulneráveis às oscilações típicas das commodities. “Mais do que componentes, esses materiais são a base para ganhos de performance e eficiência industrial, atendendo processos cada vez mais exigentes, que demandam uma cadeia de suprimentos flexível, ágil e, acima de tudo, confiável”, afirma.

Segundo Nascimento, há uma migração clara de empresas em direção aos materiais especiais como alternativa estratégica em um mercado de revenda e distribuição cada vez mais saturado. Esse movimento é impulsionado tanto pela maior disponibilidade de produtos e redução de custos, especialmente de itens importados, quanto pela entrada de novos players em busca de margens mais atrativas, o que eleva o nível de competitividade do setor. “Esse novo ambiente amplia as oportunidades, mas também exige maior profissionalização e disciplina operacional”, destaca. Apesar do histórico de resiliência do setor, o executivo reforça a necessidade de prudência. “Existem janelas reais de oportunidade, mas elas vêm acompanhadas da exigência de controles mais rigorosos, especialmente em crédito, fluxo de caixa e gestão de estoques, para evitar a imobilização excessiva de capital”, observa.

Para 2026, a ADIRPLAST projeta um cenário de estabilidade, com crescimento limitado e seletivo, concentrado em setores essenciais e de maior valor agregado. “Entramos em um ano que exige cautela, foco em eficiência operacional e gestão de riscos. Juros elevados, câmbio, políticas comerciais internacionais e o ambiente eleitoral tendem a manter o mercado desafiador”, avalia Laercio Gonçalves. Segundo ele, os recentes acontecimentos geopolíticos, como o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e seus possíveis desdobramentos, ampliam o nível de incerteza global e dificultam, neste momento, projeções mais precisas para o próximo período.