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Novas Normas De Sustentabilidade Elevam Exigência De Transparência Para Empresas De Capital Aberto

As exigências para relatórios de sustentabilidade no Brasil estão entrando em uma nova fase. A partir dos próximos anos, especialmente com a obrigatoriedade de reporte para empresas de capital aberto alinhado aos padrões internacionais do IFRS Sustainability Disclosure Standards, o mercado passa a demandar informações ESG mais robustas, comparáveis, auditáveis e diretamente conectadas às demonstrações financeiras. O objetivo é reduzir assimetrias de informação, ampliar a transparência e fortalecer a confiança de investidores e demais stakeholders.

Embora o novo arcabouço regulatório não se aplique diretamente às empresas de capital fechado, a experiência de companhias que já estruturaram seus relatórios de sustentabilidade de forma madura revela conexões claras com o novo modelo exigido. É o caso da Termotécnica, empresa de capital fechado que publica Relatórios de Sustentabilidade desde 2012 e que, segundo sua Diretora de Operações, Regina Zimmermann, trata o reporte ESG como uma ferramenta estratégica de gestão, e não apenas como uma obrigação formal.

Desde o início, um dos principais desafios enfrentados pela empresa foi estruturar processos capazes de sustentar a coleta contínua de dados. Com seis unidades produtivas, a consolidação de informações ambientais, sociais e de governança exige disciplina operacional, sistemas de gestão bem definidos e engajamento transversal das áreas. “Os dados acontecem no dia a dia. Por isso, é fundamental que os processos estejam integrados à rotina da empresa”, afirma Zimmermann.

A governança aparece como um ponto central dessa jornada. A Termotécnica estruturou um comitê multidisciplinar de sustentabilidade, hoje comitê ESG, liderado diretamente pela diretoria, reunindo representantes-chave das áreas ambiental, social e de governança. Esse modelo dialoga com o espírito das novas normas aplicáveis às companhias abertas, que reforçam a responsabilidade da alta administração sobre a qualidade, a consistência e a materialidade das informações divulgadas.

Outro ponto de convergência está na conexão entre sustentabilidade e estratégia de negócios. De acordo com Zimmermann, o Relatório de Sustentabilidade da Termotécnica não é um documento isolado, mas um desdobramento direto do planejamento estratégico. As metas apresentadas refletem prioridades reais do negócio e desafios estruturais do setor, como a percepção negativa em torno do plástico. Nesse contexto, iniciativas como programas de logística reversa e economia circular deixam de ser apenas respostas reputacionais e passam a gerar novas oportunidades de negócio.

Esse alinhamento estratégico é um dos pilares das novas exigências regulatórias, que buscam justamente integrar riscos e oportunidades ESG à performance financeira e à tomada de decisão. Na prática, isso implica tratar temas como clima, emissões, eficiência operacional e relacionamento com stakeholders como variáveis críticas para a sustentabilidade econômica das empresas no longo prazo.

A experiência da Termotécnica também evidencia a importância de indicadores consistentes e plataformas de gestão. A empresa utiliza ferramentas como o Balanced Scorecard e sistemas que permitem o detalhamento dos dados por unidade e processo, facilitando análises, comparações e decisões gerenciais. Esse nível de controle e rastreabilidade dialoga diretamente com a lógica dos novos padrões internacionais, que exigem dados verificáveis, séries históricas e coerência metodológica.

Mesmo sem a obrigatoriedade legal, a companhia já adota frameworks reconhecidos globalmente, como o GRI, o CDP, o Ecovadis e a Science Based Targets initiative (SBTi). Desde 2020, a empresa reporta suas emissões ao CDP, alcançando nível B tanto em clima quanto em gestão da água, além de manter classificação Silver no Ecovadis. Essas práticas antecipam exigências que passarão a fazer parte da rotina das empresas listadas em bolsa.

No campo da governança e da asseguração das informações, Zimmermann destaca que os indicadores divulgados no relatório já fazem parte do processo de gestão mensal da empresa, o que reduz riscos de inconsistência e surpresas no momento do reporte. Auditorias externas, análises longitudinais de desempenho e o acompanhamento direto da diretoria reforçam a credibilidade dos dados, um aspecto central das novas normas voltadas ao mercado de capitais.

Atenta às mudanças regulatórias previstas a partir de 2027, a Termotécnica acompanha a evolução das exigências aplicáveis às empresas de capital aberto, especialmente no que se refere à integração entre informações financeiras e não financeiras. Embora não esteja legalmente obrigada, a empresa avalia, no futuro, ampliar ainda mais o nível de transparência de suas divulgações, reforçando o compromisso com seus stakeholders.

O avanço das novas normas de sustentabilidade tende a elevar o padrão de reporte em todo o mercado, criando um efeito de transbordamento que vai além das companhias abertas. A trajetória da Termotécnica mostra que, independentemente do tipo de capital, tratar o ESG como parte estruturante da estratégia, da governança e da operação pode se transformar em vantagem competitiva, eficiência interna e fortalecimento da reputação no longo prazo.