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INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO QUESTIONA IMPACTO DE TARIFA SOBRE RESINAS DE PE E PP

Créditos: Magnific
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Manutenção da alíquota de 20% por mais 12 meses amplia discussão sobre custos de matéria-prima, competitividade e equilíbrio entre os diferentes elos da cadeia do plástico

A manutenção, por mais 12 meses, da alíquota de 20% sobre a importação de seis tipos de resinas de polietileno (PE) e polipropileno (PP) amplia a discussão sobre os efeitos da política de comércio exterior sobre a indústria brasileira de transformação de plásticos. A medida, aprovada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) em 27 de agosto, mantém uma tarifa que havia sido elevada de 12,6% para 20% sobre os produtos incluídos na decisão. A discussão envolve diferentes etapas da cadeia produtiva. Enquanto a proteção à produção nacional de resinas é apresentada como uma resposta às condições enfrentadas pela indústria petroquímica brasileira, empresas transformadoras avaliam os possíveis impactos da medida sobre os custos de produção e a formação de preços.

Entre as empresas que acompanham esse cenário está a Maximu’s Embalagens Especiais, com sede em Ribeirão Pires, no ABC Paulista, e filial em Varginha (MG). A companhia produz embalagens técnicas e personalizadas e utiliza polietileno e polipropileno em diferentes aplicações. Para o diretor da empresa, Erick Souza, destaca o principal ponto para os transformadores.”A indústria de transformação precisa de previsibilidade para planejar produção, investimentos e formação de preços. Qualquer alteração relevante nas condições de acesso às matérias-primas pode gerar reflexos ao longo da cadeia, principalmente em um cenário em que as empresas já trabalham constantemente para equilibrar custos e competitividade.” A decisão ocorre em um mercado marcado por mudanças na oferta internacional de resinas e pela expansão da capacidade produtiva em diferentes regiões.

Entre os argumentos associados à política tarifária estão o aumento das importações, a expansão da produção internacional, especialmente na China, e a ociosidade da indústria nacional. A perspectiva dos transformadores, porém, é diferente. Para empresas que utilizam as resinas como insumo, uma eventual elevação dos custos pode repercutir sobre toda a estrutura produtiva. A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST) se posicionou contra a renovação da medida e apontou preocupação com os impactos sobre os custos das empresas transformadoras.

O debate, portanto, envolve interesses distintos dentro de uma mesma cadeia. A indústria petroquímica busca melhores condições de competição para a produção nacional, enquanto os transformadores precisam administrar o custo das matérias-primas e, ao mesmo tempo, competir nos mercados em que atuam. “Políticas voltadas ao setor precisam levar em conta não apenas a produção de resinas, mas também os impactos sobre transformadores, fabricantes de produtos, soluções plásticas e os demais segmentos que dependem desses materiais“, afirma Souza.

RECICLAGEM GANHA ESPAÇO NA ESTRATÉGIA INDUSTRIAL

Enquanto o mercado acompanha os efeitos das medidas de comércio exterior, a busca por alternativas ao uso exclusivo de matéria-prima virgem também avança entre empresas transformadoras. A reciclagem interna aparece nesse contexto como uma estratégia que combina redução de resíduos, aproveitamento de materiais e maior controle sobre parte dos insumos utilizados na produção.

Na Maximu’s, uma extrusora recicladora instalada há cinco anos passou a permitir o reaproveitamento das sobras geradas durante a fabricação. De acordo com a empresa, 952,5 toneladas de resíduos foram encaminhadas para reutilização desde a implantação do equipamento. O material é transformado novamente em matéria-prima para a produção de plástico-bolha.

A iniciativa reduz o volume de resíduos destinados ao descarte e permite que parte dos materiais retorne ao processo produtivo. A prática também está relacionada à busca por menor dependência de matéria-prima virgem. “Iniciamos um projeto de reciclagem avançada com equipamentos de ponta que transformam resíduos plásticos em matéria-prima circular para novos produtos. Isso significa menos resíduos no meio ambiente, menor dependência de matéria-prima virgem e ganhos econômicos que fortalecem nossa autonomia produtiva“, explica o diretor.

A discussão sobre o reaproveitamento de materiais também acompanha mudanças na regulamentação brasileira. O Decreto nº 12.688/2025 instituiu o sistema de logística reversa de embalagens de plástico e estabeleceu metas relacionadas à recuperação de materiais e à incorporação de conteúdo reciclado. A regulamentação envolve diferentes participantes da cadeia, incluindo fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, cooperativas e recicladores.

Para a indústria de transformação, o avanço da reciclagem representa uma frente adicional em um cenário no qual custo, disponibilidade de matéria-prima e exigências ambientais passam a ser considerados conjuntamente. A ampliação da oferta de materiais reciclados pode contribuir para a reinserção de resíduos no ciclo produtivo, embora não substitua integralmente a necessidade de resinas virgens em todas as aplicações.

DISCUSSÃO ENVOLVE TODA A CADEIA

A renovação da tarifa mantém em pauta a discussão sobre como as políticas de comércio exterior devem considerar os diferentes elos da cadeia do plástico. O efeito de uma medida aplicada na entrada de determinada matéria-prima pode se estender para fabricantes de produtos, embalagens e componentes que utilizam essas resinas. Para Souza, o fortalecimento da produção nacional e a competitividade dos transformadores precisam ser considerados conjuntamente.

Com a manutenção da alíquota por mais um ano, o mercado passa a acompanhar os efeitos da medida sobre importações, preços, produção nacional e custos da indústria de transformação. A evolução desses indicadores deverá alimentar o debate sobre os próximos passos da política tarifária para as resinas e sobre o equilíbrio entre proteção industrial e competitividade ao longo da cadeia.