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O PIB CRESCE. MAS QUANTO DESSE CRESCIMENTO CHEGA À INDÚSTRIA DO PLÁSTICO?

Por João Luiz Zuñeda, sócio fundador MaxiQuim

O Produto Interno Bruto (PIB) é a medida mais conhecida do desempenho econômico. Para quem administra uma fábrica, porém, o crescimento do PIB não responde a uma pergunta decisiva: depois de pagar seus custos e cumprir suas obrigações, quanto resta para investir em máquinas, pessoas e novos produtos?

O economista norte-americano Murray N. Rothbard (1926–1995), um dos principais expoentes da Escola Austríaca de Economia, propôs uma maneira de provocar essa reflexão: o Produto Privado Remanescente (PPR). Essa medida alternativa procura estimar a produção que permanece em mãos privadas após considerar a absorção de recursos pelo Estado. O PPR não é uma estatística oficial nem substitui o PIB; oferece outra perspectiva sobre a capacidade de acumular capital.

O brasileiro J.P. Mayall (João Paulo Mayall), profissional do mercado financeiro que publica análises sobre economia monetária, aplicou essa lógica ao Brasil. Segundo seus cálculos, entre 2005 e 2025 o PIB real per capita cresceu aproximadamente 32%. O PPR real per capita, entretanto, seguiu outra trajetória: atingiu cerca de R$ 26,5 mil em 2013 e recuou para aproximadamente R$ 23,5 mil em 2025. É uma queda próxima de 11% em relação ao pico e, nos cálculos de Mayall, um retorno ao patamar de 2008. A provocação é forte: o país produziu mais por habitante ao longo das duas décadas, mas a parcela que essa metodologia estima ter permanecido no setor privado perdeu terreno depois de 2013. Como o PPR é uma medida alternativa, seus resultados dependem das escolhas adotadas no cálculo e devem ser lidos nessa condição.

Para a indústria do plástico, a pergunta por trás desses números é concreta. Uma transformadora pode ter pedidos e faturamento em alta e, ainda assim, encontrar pouco espaço para renovar extrusoras, automatizar linhas, reduzir perdas ou desenvolver uma embalagem de maior desempenho. Uma recicladora pode enxergar demanda crescente, mas precisar financiar equipamentos, coleta e capital de giro antes de conseguir ampliar sua produção.

Esse desafio ganha peso quando a produtividade cresce lentamente e o capital custa caro. Produtividade baixa e financiamento caro reduzem a capacidade de investir e competir. A pressão percorre toda a cadeia: da produção de resinas à transformação e à reciclagem de plásticos.

Há também uma questão fiscal. Nos 12 meses encerrados em junho de 2026, os juros nominais do setor público consolidado somaram R$ 1,16 trilhão, equivalentes a 8,8% do PIB. É um valor que ajuda a dimensionar o peso dos juros na economia brasileira. 

A dimensão da indústria de plásticos mostra por que essa discussão importa. Segundo a ABIPLAST, a transformação e a reciclagem de plásticos reúnem cerca de 15 mil empresas, faturam aproximadamente R$ 170 bilhões por ano e geram 404 mil empregos diretos. Suas soluções estão presentes da alimentação e da saúde ao agronegócio e à construção civil. Quando essa cadeia ganha produtividade e capacidade de investir, os benefícios se espalham por toda a economia. Fortalecer a indústria de plásticos é fortalecer os motores da produção brasileira.

O debate sobre o PIB e o PPR, portanto, pode sair das contas nacionais e entrar no chão de fábrica. O Brasil precisa crescer. Mas precisa também criar condições para que as empresas convertam esse crescimento em investimento, produtividade e inovação. Para a indústria do plástico, a pergunta decisiva é quanto do crescimento se transforma em capacidade de produzir melhor amanhã.

Por João Luiz Zuñeda, sócio fundador MaxiQuim