
A inteligência artificial, a economia circular e a necessidade de aproximar conhecimento científico e indústria estão entre os temas que estarão no centro do 6º Congresso Brasileiro do Plástico. Realizado pela primeira vez dentro da Interplast, o evento pretende ampliar o diálogo entre diferentes segmentos da cadeia e discutir as transformações que vêm alterando processos produtivos, tecnologias e formas de competição no setor.
Em entrevista exclusiva à Revista Plástico Sul América, Alfredo Schmitt, especialista em Polímeros Olefínicos, presidente do Instituto SustenPlást e do 6º Congresso Brasileiro do Plástico, detalha a proposta desta edição, os desafios enfrentados pela indústria e a importância de qualificar o debate público sobre os plásticos. Para ele, a aproximação entre indústria, academia, ciência e sociedade pode contribuir para transformar conhecimento em aplicações práticas e decisões para o setor.
REVISTA PLÁSTICO SUL AMÉRICA: Qual é a principal novidade desta edição e por que o momento atual da indústria torna esse debate especialmente importante?
(Alfredo Schmitt): A principal novidade desta edição é que o 6º Congresso Brasileiro do Plástico será realizado, pela primeira vez, dentro da Interplast. Isso aproxima ainda mais o conteúdo técnico e científico de quem vive a indústria no dia a dia. Também foi escolhido um tema muito atual, Plásticos: Soluções na Era da Inteligência Artificial, porque estamos vivendo uma transformação importante na indústria, com inteligência artificial, novas tecnologias, economia circular, inovação em materiais e mudanças na forma de produzir e competir. Queremos discutir como essas ferramentas podem trazer eficiência e competitividade, sempre olhando para o plástico como solução. É um momento oportuno para reunir conhecimento, experiência industrial e ciência em um mesmo ambiente.
PSA: O Congresso Brasileiro do Plástico reúne representantes de diferentes áreas ligadas à cadeia do plástico. Que tipo de troca entre indústria, especialistas e sociedade o 6CBP pretende estimular e quais resultados concretos podem surgir desses encontros?
(Alfredo): A indústria do plástico é uma cadeia muito ampla. Temos transformadores, produtores de matérias-primas e resinas, fabricantes de máquinas e tecnologias, recicladores, pesquisadores, universidades, engenheiros, estudantes e profissionais ligados à sustentabilidade. Quando colocamos essas pessoas para conversar, conseguimos perceber o material por diferentes perspectivas.
O conhecimento acadêmico pode encontrar uma aplicação industrial, uma necessidade da empresa pode estimular uma pesquisa e uma tecnologia apresentada ali pode gerar uma solução prática. O 6º Congresso Brasileiro do Plástico foi pensado justamente para promover essa conexão. Nosso objetivo é promover este diálogo e promover para que estas conversas prossigam após estes dois dias e que possam resultar em parcerias, projetos, desenvolvimento tecnológico e novas formas de aplicar a economia circular na prática.
PSA: O senhor defende a importância de levar informação científica correta à sociedade sobre os plásticos. De que maneira o Congresso Brasileiro do Plástico pretende contribuir para esse debate e combater percepções equivocadas sobre o material?
(Alfredo): Esse é um ponto que considero fundamental. Existe muita informação circulando sobre o plástico e, muitas vezes, o material acaba sendo analisado sem considerar ciência, aplicação, ciclo de vida e destino adequado após o uso. O Congresso Brasileiro do Plástico nasceu com caráter educativo e aberto à sociedade justamente para apresentar informações científicas sobre o material.
Nesta edição teremos pesquisadores, especialistas, representantes da indústria e profissionais de diferentes áreas, inclusive jornalistas, como Leandro Narloch, trazendo estudos, experiências e dados técnicos. Acredito muito que conhecimento é a melhor maneira de qualificar essa discussão. Precisamos entender onde o plástico está presente, por que ele é utilizado, quais benefícios oferece e como fazer com que os resíduos plásticos retornem para a cadeia produtiva como matéria-prima.
PSA: Na sua avaliação como presidente do Sinplast-RS, quais são hoje os principais desafios da indústria do plástico e de que forma esses assuntos estarão presentes nos debates do Congresso Brasileiro do Plástico?
(Alfredo): Por acompanhar a indústria petroquímica e de transformação há 45 anos, vejo desafios importantes ligados à competitividade, produtividade, inovação, qualificação, economia circular e comunicação com a sociedade. A inteligência artificial também entrou definitivamente nessa agenda.
Precisamos compreender como utilizar tecnologia e dados para melhorar processos e aumentar eficiência. Ao mesmo tempo, temos o desafio de ampliar a circularidade dos materiais e fortalecer a integração entre indústria, consumidores, poder público e academia. A programação foi construída para colocar essas questões na mesa de maneira bastante objetiva, incluindo inteligência artificial na transformação de plásticos, reciclagem, economia circular, ciência dos materiais, exportações e competitividade.
PSA: O que o senhor espera que o participante leve para casa depois de dois dias de Congresso Brasileiro do Plástico: uma nova visão sobre o plástico, conhecimento sobre novas tecnologias, soluções para a indústria ou uma mudança na forma de enxergar o material?
(Alfredo): É esperado que cada pessoa saia do 6º Congresso Brasileiro do Plástico levando um pouco de tudo isso. Conhecimento técnico, novas tecnologias, contatos e, principalmente, uma visão mais ampla sobre o plástico. É um material presente na medicina, nos alimentos, na mobilidade, na construção, na agricultura, na tecnologia e em inúmeras atividades essenciais. Quando conhecemos melhor suas características e aplicações, também entendemos melhor a importância da economia circular e do destino adequado após o uso. O que queremos é que o participante volte para sua empresa, universidade ou comunidade com informações que possam ser transformadas em decisões e ações concretas.
PSA: Gostaria de acrescentar mais alguma informação importante?
(Alfredo): Podemos acrescentar que o 6º Congresso Brasileiro do Plástico é aberto a diferentes públicos porque essa discussão interessa à sociedade inteira. Teremos estudantes, pesquisadores, técnicos, engenheiros, empresários, formadores de opinião e profissionais de diferentes segmentos reunidos nos dias 26 e 27 de agosto, no Centro de Exposições Expoville, em Joinville. A expectativa é receber cerca de 500 participantes, com palestrantes brasileiros e estrangeiros e transmissão também para o público on-line. Mais do que acompanhar tendências, queremos criar um espaço onde as pessoas possam perguntar, aprender, trocar experiências e sair com informação científica de qualidade sobre um material que faz parte da vida de todos nós.

Serviço:
O 6º Congresso Brasileiro do Plástico (6CBP) será realizado nos dias 26 e 27 de agosto de 2026, no Centro de Exposições Expoville, em Joinville (SC). O congresso será promovido pelo Instituto SustenPlást e ocorrerá integrado à Interplast 2026, realizada de 25 a 28 de agosto, das 13h às 20h. A programação do 6CBP começa na manhã do dia 26 e segue no dia 27, com debates e palestras sobre inteligência artificial, inovação, ciência dos materiais, sustentabilidade, economia circular e competitividade. A organização estima público de cerca de 500 participantes e prevê transmissão on-line. (Interplast)

