
Programada para cinco dias de evento, de 5 a 9 de maio, a 5ª edição da Feira Internacional de Máquinas e Equipamentos, a FEIMEC 2026, chega a esta sexta - feira, dia 8, ainda com uma ampla programação pela frente. Realizada em São Paulo, a feira reúne lideranças da indústria, autoridades, empresas, estudantes e profissionais do setor em torno de uma agenda voltada à inovação, competitividade, modernização do parque fabril, transição energética e formação de mão de obra qualificada.

Na cerimônia de abertura no primeiro dia, o presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ, Gino Paulucci Jr., destacou que a feira funciona como um retrato do momento vivido pela indústria de máquinas e equipamentos no Brasil. “Atualmente, competitividade industrial não é mais uma escolha, é uma equação construída sobre três pilares: tecnologia para ampliar a capacidade produtiva, eficiência energética para reduzir desperdícios, e escala e gente para tornar tudo isso viável. Empresas que dominam esses três pilares não apenas sobrevivem: elas ditam o ritmo do mercado”, afirmou.
Para ele, o setor demonstra maior capacidade de adaptação diante de um cenário econômico desafiador e passa a tratar a tecnologia como parte central da estratégia de crescimento. “A mensagem é de resiliência e amadurecimento tecnológico”, afirma. Esse amadurecimento aparece na forma como digitalização, eficiência e competitividade internacional deixaram de ser temas isolados e passaram a orientar decisões práticas dentro das empresas.
A FEIMEC também evidencia que a modernização produtiva ganhou um caráter mais concreto e orientado a resultados. Soluções como robôs móveis autônomos, impressão 3D industrial, integração de dados, automação, conectividade e manufatura inteligente aparecem como respostas para empresas que buscam produzir mais, reduzir perdas e tomar decisões com maior precisão. Para Paulucci, “a modernização deixou de ser um projeto isolado de TI ou de chão de fábrica, hoje é uma decisão de sobrevivência competitiva”. Essa visão se reflete no Demonstrador de Soluções Tecnológicas da Indústria 4.0, organizado pela ABIMAQ, com correalização do SENAI-SP, espaço que apresenta aplicações reais de tecnologias industriais em funcionamento.
O cenário econômico, no entanto, ainda impõe obstáculos relevantes ao setor. Juros elevados, crédito mais caro e margens pressionadas seguem influenciando as decisões de investimento, mas a leitura da ABIMAQ é que muitas empresas passaram a responder a esse ambiente com mais eficiência operacional. “Se o custo do capital é alto, você precisa extrair mais resultado de cada real investido”, observa o presidente do conselho. Nesse contexto, tecnologias voltadas à economia de energia, automação de processos repetitivos, redução de refugo e manutenção preditiva passam a representar não apenas inovação, mas instrumentos de ganho de margem e permanência no mercado.
A pauta institucional também teve destaque na abertura. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, abordou os desafios estruturais enfrentados pela indústria brasileira e defendeu a retomada de uma política industrial mais consistente. “Não há desenvolvimento social consistente sem uma base industrial forte. É a indústria que gera emprego, distribui renda e promove inovação. Nosso compromisso é avançar com uma indústria mais competitiva, inovadora e integrada aos mercados internacionais”, disse. O ministro também citou a Nova Indústria Brasil e instrumentos de financiamento e incentivo à inovação como parte do esforço para fortalecer a produção nacional. “O Brasil precisa ter coragem para defender seus interesses, fortalecer sua indústria e ampliar sua presença no comércio internacional”, ressaltou.
A atuação do BNDES no apoio à modernização industrial também esteve entre os temas da cerimônia. O diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do banco, José Luis Gordon, afirmou que a indústria tem respondido de forma positiva à ampliação de linhas de crédito e instrumentos voltados à inovação, digitalização e renovação do parque fabril. “Mostramos que, quando há instrumentos, há demanda. As empresas querem inovar, se desenvolver e modernizar suas operações”, afirmou. Para ele, o avanço da produtividade passa necessariamente pela atualização tecnológica. “Não há ganho de produtividade sem máquinas modernas. Hoje existe um conjunto robusto de instrumentos para apoiar o investimento industrial, seja em inovação, expansão ou transição energética”, completou.
A competitividade do setor também foi tratada pelo deputado federal Vitor Lippi, presidente da Frente Parlamentar da Indústria de Máquinas e Equipamentos. Ele destacou a importância estratégica da indústria de máquinas para o crescimento econômico e para a geração de empregos. “O setor é decisivo para o aumento da produtividade do país. Não conseguimos produzir mais sem máquinas eficientes e inovadoras”, ressaltou Lippi. O parlamentar também mencionou o custo Brasil e avaliou que a reforma tributária pode melhorar o ambiente de negócios ao simplificar processos e reduzir a cumulatividade de impostos.
Além dos debates sobre política industrial, crédito e produtividade, a FEIMEC 2026 chama atenção para a necessidade de aproximar os jovens da indústria. Para Maria Cristina Moreira, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Ferramentas, o contato direto com feiras e exposições é uma forma importante de despertar o interesse de novos profissionais. “No universo de inúmeras novas opções profissionais hoje presentes no mercado, a única forma de atrair os jovens para as indústrias de máquinas e equipamentos é o incentivo ao acesso a feiras e exposições, onde terão a oportunidade de observar as inúmeras tecnologias em desenvolvimento pelas diversas indústrias ali presentes”, destacou.
Segundo ela, a maior exigência por qualificação técnica também torna essencial aproximar os estudantes da realidade produtiva. Explicou que indústria necessita exponencialmente mais de mão de obra qualificada e não é ums tarefa fácil pela complexidade dessas formações técnicas."O jovem precisa estudar mais para conseguir uma boa colocação. E as feiras mostram a realidade da indústria, ajudam a criar propósito para que ele queira se especializar e fazer parte desse universo”,explicou Maria Cristina, sobre a inserção dos jovens no mercado industrial.
Ao completar uma década de trajetória, a FEIMEC reforça seu papel como vitrine estratégica para medir o estágio atual da indústria brasileira de máquinas e equipamentos. Mais do que reunir equipamentos em exposição, o evento se consolida como espaço de conteúdo, relacionamento e geração de negócios, conectando fabricantes, distribuidores, universidades, startups, investidores e decisores da indústria. “A indústria não compra mais hardware pelo hardware. Ela compra soluções, ela compra inteligência, ela compra transformação”, resume Paulucci.
Nesse novo cenário, a sustentabilidade também deixa de aparecer como obrigação paralela e passa a estar incorporada às tecnologias apresentadas, seja por meio de sensores, monitoramento em tempo real, redução de desperdícios ou maior eficiência energética. Em meio à transformação das cadeias produtivas, a FEIMEC 2026 coloca em destaque soluções que respondem às novas exigências da manufatura brasileira.
De acordo com João Alfredo Delgado, Diretor Executivo de Tecnologia da ABIMAQ, o avanço de setores como mobilidade elétrica, manufatura avançada e produção de alta precisão tem levado as fábricas a buscar operações mais flexíveis, seguras e confiáveis, capazes de ampliar produtividade e reduzir falhas em ambientes industriais cada vez mais complexos. “A FEIMEC acompanha esse movimento ao reunir tecnologias e soluções alinhadas aos desafios atuais da manufatura”, explica o Diretor Executivo.
Entre as soluções apresentadas na feira, ganham destaque tecnologias voltadas à automação pneumática, robótica industrial, mobilidade autônoma e manufatura aditiva. A Metal Work leva ao evento sistemas desenvolvidos para aplicações que exigem controle de contaminação e estabilidade, com foco especial na indústria de baterias, impulsionada pela eletrificação e pelo armazenamento de energia.
Já a ABB Robotics apresenta aplicações que reforçam a tendência de fábricas mais adaptáveis, com robôs de pintura, robôs móveis autônomos e impressão 3D industrial. A programação de conteúdo da FEIMEC também acompanha esse movimento, com debates sobre competitividade, inovação, qualificação tecnológica e os caminhos para a modernização da manufatura brasileira.
A Indústria 4.0 tem ampliado seu papel para além do aumento de produtividade e passou a ocupar posição estratégica na busca por operações mais sustentáveis e eficientes. A integração entre sensores, automação e Inteligência Artificial (IA), com análise de dados em tempo real, vem permitindo reduzir desperdícios, otimizar recursos e tornar as fábricas energeticamente mais inteligentes. Um dos principais avanços está na eficiência energética, já que sistemas conectados conseguem acionar máquinas apenas quando necessário, evitando consumo excessivo.
Segundo João Alfredo Delgado, soluções desse tipo já geraram resultados expressivos, como uma economia de cerca de 30% no consumo de energia em uma máquina de fabricação de embalagens, além de aplicações em logística reversa e rastreamento com blockchain. Essas tendências ganham destaque na FEIMEC, que reúne empresas e debates voltados ao futuro da manufatura. O evento conta com uma programação até o dia de amanhã, dia 9 de maio, e com várias temáticas pela frente.