A Cooperativa de Trabalho e Reciclagem Campo da Tuca (Coopertuca), localizada na zona leste da Capital, se tornou a primeira unidade de triagem do Rio Grande do Sul a integrar o projeto internacional “Cooperativas Mais Tecnológicas”, desenvolvido pela BASF com apoio da Braskem. A iniciativa busca modernizar o processo de separação de resíduos plásticos e melhorar as condições de trabalho nas cooperativas de reciclagem.
Formada por 25 trabalhadores, a Coopertuca é responsável pela gestão de aproximadamente 70 toneladas de resíduos sólidos por mês. Com a chegada da nova tecnologia, a expectativa é de que a triagem de materiais se torne mais eficiente, segura e rentável. O projeto, que já foi implantado em cooperativas de São Paulo, Buenos Aires (Argentina) e Bogotá (Colômbia), utiliza um dispositivo portátil chamado trinamiX PAL One, desenvolvido por uma subsidiária da BASF na Alemanha. O equipamento funciona como um espectrômetro de luz infravermelha, capaz de identificar até 30 tipos diferentes de plásticos com precisão.
Segundo os idealizadores, a ferramenta representa um grande avanço para as cooperativas, permitindo uma triagem mais assertiva e evitando o uso de métodos insalubres — como o teste por queima — que ainda são comuns em locais com pouca estrutura. “Como é portátil e de fácil manuseio, conseguimos levar uma tecnologia que era exclusiva de grandes instalações de reciclagem para as mãos de quem faz a diferença todos os dias”, explica Jade Rodriguero Dino, gerente de Produto em Aditivos para Plásticos da BASF América do Sul.
Além de tornar o processo mais produtivo, a tecnologia permite a separação de resíduos mais homogêneos e de maior valor comercial, contribuindo para o aumento da renda dos cooperados e para a valorização da economia circular.
A Coopertuca faz parte do programa Ser+, da Braskem, que atende sete cooperativas no Rio Grande do Sul e cerca de 200 trabalhadores nas cidades de Porto Alegre e Triunfo. O programa oferece capacitação técnica, doações de equipamentos de segurança e infraestrutura, além de acompanhamento contínuo para o desenvolvimento socioeconômico dos catadores.
“Sempre focamos no crescimento e no aprendizado constante, seja absorvendo conteúdo ou utilizando novos equipamentos. Com certeza essa ação irá contribuir para o aumento de produção e renda”, destaca Ângela Lemes, tesoureira da Coopertuca. A formação dos trabalhadores para o uso do novo equipamento foi realizada no último dia 15 de março, com a presença de equipes técnicas da BASF e da Braskem.
Para Daniel Fleischer, gerente de Relações Institucionais da Braskem no RS, a iniciativa reafirma o compromisso com a sustentabilidade e a valorização do trabalho de base: “Esses trabalhadores desempenham um papel fundamental nas comunidades em que atuam, gerando renda e amplificando boas práticas que entendemos serem essenciais para o desenvolvimento sustentável.”
Com a chegada da tecnologia, a Coopertuca avança não apenas na eficiência da triagem de materiais, mas também na construção de um modelo de reciclagem mais justo, seguro e inovador, colocando Porto Alegre no mapa das boas práticas em gestão de resíduos da América Latina.