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UMA ANÁLISE SOBRE A EXPO-PACK CHICAGO 2024

Por André Castro

Realizada em Chicago entre os dias 03 e 06 de Novembro de 2024, a Expo-Pack Chicago, vem se consolidando como um dos principais eventos do setor de embalagens, serviços e equipamentos para a indústria, alcançando inovação, desenvolvimento e muitas palestras e treinamentos de interesse do setor. Incríveis 2.600, arredondando, expositores se apresentaram no Mccormick Place em Chicago, para acolherem outros não menos incríveis 70.000 visitantes de todo mundo. Em números, a Feira K na Alemanha leva vantagem com 170.000 visitantes a cada dois anos, mas considerando a especialidade da Pack-Expo, em embalagens, é uma gigante do setor.

Como podemos ver na figura acima, a evolução dos registros on-line anualmente.

A questão é que o grande destaque da Pack-Expo ficou com as inovações provocativamente chamadas de substitutas dos Plásticos, coisa que não é possível, já sabemos todos, pelo prisma em que se olhe, continuando o Plástico como um material nobre, eficiente e acessível. Moldagem por fibras vegetais para descartáveis, papéis de diferentes configurações para embalagens rígidas e flexíveis, alegando a neutralidade nos custos de migrar para a onda de paperization, em inglês. 

Entre os mais de dois mil fornecedores de soluções de embalagem e processamento na Pack Expo deste ano, os visitantes se encontraram com as ditas soluções alternativas ao tradicional  plástico, desde tampas de refrigerantes seláveis ​​a quente da Haso, envoltório de barra selado a frio da Amcor, revestimento de barreira compostável e “fornável” da Celanese e caixa de detergente corrugada click-to-lock da Smurfit WestRock, até pallets corrugados da Ecorrcrate. Até mesmo os produtores de embalagens plásticas oferecem cada vez mais soluções baseadas em fibras. Muitos expositores apresentavam um ou dois produtos de papel em um estande cheio de plásticos.

Porém, como já foi demonstrado, as soluções ainda carecem de maior viabilidade, como as garrafas de papel, das quais vimos várias iniciativas recentemente, parecem ter dado um passo para trás este ano, pois atualmente é difícil provar sua viabilidade comercial devido ao custo, ineficiência de produção e dificuldade de reciclagem devido ao seu revestimento plástico flexível. As fibras vegetais foram as mais presentes, sendo a madeira, folhas de bambu ou bananeira, bagaço de cana de açúcar e outras os destaques. O ambiente econômico mundial desafiador dos últimos tempos, racionalizou muitas inovações em embalagens verdes, ao mesmo tempo em que abandonou aquelas que pareciam ser greenwashing.

Uma grande ausência histórica nesta Feira, é a das Petroquímicas, apenas Dow e Lyondel-Basell  as produtoras que se apresentaram, até porque estes grandes grupos também oferecem soluções para toda a indústria de embalagens. A organização foi impecável, apesar de alguns transtornos de trânsito e logística, a exemplo da Maratona Chocolate Run que bloqueou os acessos ao Mccormick Place no Domingo, primeiro dia de Feira, no mais foi uma demonstração de eficiência.

Outro evento concomitante a Pack-Expo, foi nada menos que as Eleições Americanas, que ocorreu nos dias em que aconteceram a Feira. Não houve influência das Eleições nacionais no âmbito da Feira, porém no ambiente de negócios, com forte participação da China, foi afetado no dia seguinte a vitória de Donald Trump, pois sua plataforma abre espaço para forte taxação das importações desta origem. Ficou claro que haverá redução no share da China no mercado americano.

Por outro lado, como disse um destes fornecedores, se abre uma frente enorme de oportunidades para fornecedores de produtos e serviço, no âmbito das embalagens, com origem no Brasil e América Latina em geral. Nosso setor deve estar atentos a esse fato, começar a trilhar o caminho de participar com maior ênfase dos mercados internacionais. Aliás o Brasil esteve bem representado no estande do ThinkPlastic e com expositores individuais também, parabéns a todos.

Por André Castro