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IMPASSE NO TRATADO GLOBAL REACENDE DEBATE: E SE O PLÁSTICO FIZER PARTE DA SOLUÇÃO?

Após uma semana de intensas negociações em Genebra, representantes de mais de 170 países não chegaram a um consenso para aprovação do aguardado Tratado Global contra a Poluição Plástica. O fracasso nas tratativas representa um novo capítulo em um debate que vai muito além do descarte: o papel do plástico em uma economia moderna e sustentável.Apesar da decepção com a não aprovação do tratado, especialistas do setor veem uma oportunidade de reavaliar o papel estratégico do plástico, não como vilão, mas como parte de uma solução mais inteligente e integrada para os desafios ambientais do século XXI.

As divergências entre nações giraram em torno de cinco eixos principais: design de produto, eliminação de químicos perigosos, gestão de resíduos, limites à produção de plástico virgem e financiamento. O embate Norte-Sul — especialmente sobre quem financia a transição — foi novamente um dos principais entraves. No entanto, há um fato que não pode ser ignorado: mais de 100 países, empresas e organizações da sociedade civil já convergem sobre diretrizes fundamentais, como design circular, responsabilidade estendida do produtor (REP) e harmonização de padrões globais.

A Coalizão Empresarial por um Tratado Global para os Plásticos reconheceu o progresso das discussões multilaterais e reforçou a necessidade de um regulamento internacional consistente. Em nota, afirmou estar “encorajada pela maior clareza alcançada sobre as regulamentações globais harmonizadas […] que abrangem todo o ciclo de vida dos plásticos.”Esse posicionamento reflete uma mudança de mentalidade já em curso: a indústria de plásticos tem se mobilizado por soluções mais sustentáveis, sem abrir mão das vantagens técnicas e econômicas desse material essencial. Segundo ele, o foco deve ser em economia circular, reuso e inovação em design, estratégias que já estão sendo adotadas por diversas empresas do setor.

Apesar da crise ambiental, vale lembrar que o plástico continua sendo indispensável para setores como saúde, alimentos, transporte e energia renovável. Seu baixo custo, versatilidade e durabilidade são fatores que, quando bem gerenciados, podem inclusive reduzir a pegada de carbono em comparação com substitutos de maior impacto ambiental. A ausência de um tratado global vinculante não precisa ser vista como paralisia. Pelo contrário: pode ser o impulso para ações locais, regionais e corporativas mais ágeis e eficazes. Países e empresas que já caminham rumo à circularidade podem servir de modelo e inspiração.

Enquanto as negociações internacionais permanecem em compasso de espera, especialistas como Pedro Prata, gerente sênior de Instituições e Políticas, que afirma, “o papel das empresas e de suas ações voluntárias torna-se ainda mais relevante. […] Os governos podem se apoiar nesse alinhamento já existente para viabilizar soluções mais abrangentes para enfrentar a crise plástica.”Ou seja, o futuro da sustentabilidade não depende apenas de tratados internacionais, mas de colaboração prática, inovação e reconhecimento do papel que o plástico pode desempenhar em um novo modelo econômico mais eficiente e regenerativo.