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PROFERT: UMA NOVA OPORTUNIDADE PARA A INDÚSTRIA DO PLÁSTICO

Por João Luiz Zuñeda, Sócio Fundador MaxiQuim

O Brasil acaba de dar um passo importante para tentar reduzir uma de suas maiores vulnerabilidades no agronegócio: a elevada dependência de fertilizantes importados. A Lei nº 15.496, de setembro de 2026, criou o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes — PROFERT— e estabeleceu uma participação mínima obrigatória de fertilizantes nacionais sintéticos e minerais nos produtos comercializados no país.

O percentual começa em 2% a partir de julho de 2027, deverá atingir 10% até 2037 e, posteriormente, poderá chegar a 30%, dependendo da capacidade e da disponibilidade da indústria brasileira.

É uma mudança importante para fertilizantes. Mas seus efeitos podem ir muito além dessa cadeia.

Para a indústria de transformação de plásticos, existe uma oportunidade que merece atenção.

A lei não exige que as embalagens sejam nacionais. A relação é indireta. Se o PROFERT efetivamente estimular a construção de novas plantas, a reativação de unidades paralisadas e a ampliação da produção brasileira de nitrogenados, fosfatados e outros fertilizantes, uma parcela maior da cadeia passará a acontecer fisicamente dentro do Brasil.

E fertilizante produzido no Brasil precisará ser armazenado, movimentado, ensacado, paletizado e distribuído.

É exatamente nesse ponto que a indústria do plástico entra.

Sacarias de polipropileno tecido, ráfia laminada, liners de polietileno, big bags e filmes utilizados na paletização, como stretch, shrink, têm papel fundamental na logística dos fertilizantes. Esses produtos precisam ser protegidos contra umidade, perda de fluidez, empedramento, rasgos e danos durante transporte e armazenagem.

Portanto, não estamos falando simplesmente de colocar fertilizante dentro de um saco. A embalagem faz parte do desempenho logístico do produto.

O PROFERT também prevê mecanismos para estimular modernização, reativação e ampliação de plantas industriais, além de investimentos em infraestrutura e inovação. Novas fábricas e unidades modernizadas tendem a incorporar maior automação nos sistemas de ensaque, movimentação e armazenagem.

Isso pode exigir também uma nova geração de embalagens.

Para os transformadores, a oportunidade não está apenas em vender mais toneladas de PP ou PE. Está em desenvolver soluções mais leves, resistentes, produtivas nas linhas automáticas, com melhores propriedades de barreira, rastreabilidade e menor geração de perdas.

E existe ainda outro desafio: circularidade.

Quanto maior o consumo de embalagens de fertilizantes, maior será também a pressão para desenvolver estruturas recicláveis, reduzir massa por embalagem e criar sistemas economicamente viáveis de recuperação pós-consumo. Aqui há espaço para inovação em design, resinas, aditivos e reciclagem.

O PROFERT não garante automaticamente novos volumes para a indústria plástica. Sua implementação dependerá da competitividade das novas plantas brasileiras, da disponibilidade de matérias-primas, de energia, gás natural e infraestrutura.

Mas a direção está colocada.

Se o Brasil pretende produzir mais fertilizantes, a indústria do plástico deveria começar desde agora a discutir como produzir também as embalagens que acompanharão essa nova fase.

Porque fortalecer a indústria de fertilizantes pode significar uma oportunidade de fortalecer, junto com ela, toda uma cadeia brasileira de transformação de plásticos.

Por João Luiz Zuñeda, Sócio Fundador MaxiQuim